ENEM PPL 2012 - O grupo fortalece o indivíduo
Enviada em 25/06/2023
Em 1948, a Organização das Nações Unidas criou a lei mais relevante da modernidade: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante a liberdade de manifestação. Todavia, o individualismo em detrimento do grupo impede que a sociedade vivencie a prerrogativa da ONU. Assim, hão de ser combatidos os agravadores da problemática: o silenciamento social sobre a organização coletiva, bem como a inércia estatal.
De início, é mister ressaltar o desprovimento da sensibilidade populacional para solucionar a adversidade. Nesse sentido, Jean-Paul Sartre define o conceito de “Acomodação Social”, como o banimento de certos assuntos da discussão coletiva. Portanto, o debate acerca da união dos oprimidos contra injustiças, embora seja relevante para a sociedade brasileira, recebe pouca importância, em razão da escassa abordagem desse tópico nas escolas. Destarte, é inaceitável o Brasil ainda conviver com o arcaico dilema do silenciamento público, pois essa negligência prejudica os negros periféricos, haja vista que são os principais prejudicados pela negação das garantias fundamentais.
Ademais, a omissão do Estado motiva a persistência da falta de unidade coletiva. Isso acontece, porque, como já estudado por Norberto Bobbio - expoente político italiano -, o Estado além de criar políticas públicas que assegurem os direitos básicos, também deve garantir que toda população usufrua deles no cotidiano. Em outras palavras, apesar da liberdade de manifestações ser estabelecida pela ONU, os poucos atos contra o racismo evidenciam a carência brasileira de os tornar realidade para os periféricos. Dessarte, enquanto a inércia estatal se mantiver, os negros estarão fadados a conviver com a desorganização da coletividade, porque essa problemática é pouco discutida no cenário brasileiro.
Urge, portanto, que o Ministério da Educação e as escolas -responsáveis pela transformação social- devem contribuir para desenvolver o senso crítico dos habitantes sobre o individualismo, por meio de projetos, como ações comunitárias, a exemplo de disponibilizar oficinas educacionais antirracistas. Essa iniciativa terá a finalidade de mobilizar o Estado a melhorar a integração coletiva e de garantir que o conceito defendido pela ONU seja, em breve, a realidade no Brasil.