ENEM PPL 2013 - Cooperativismo como alternativa social

Enviada em 26/07/2021

Em sua obra “Eichmann em Jerusalém”, a filósofa alemã Hannah Arendt discute o conceito de banalidade do mal, segundo o qual a falta de questionamento moral acarreta pensamentos e ações nefastas a um grupo de indivíduos. Nesse sentido, a atuação de cooperativas combate a normalização de realidades negativas, haja vista que enfrentam problemáticas sociais, conduta que demonstra preocupação com as necessidades dos cidadãos. Diante isso, a ineficiência governamental, bem como a carência de empatia entre os indivíduos, são fatores que ressaltam a relevância do cooperativismo para o país como estratégia de desenvolvimento social.

De início, vale destacar o Contrato Social, termo que, segundo o filósofo John Locke, indica o papel do líder de um Estado como representante das primordialidades de sua população. Entretanto, observa-se a quebra nesse pacto na sociedade brasileira, uma vez que não são promovidas medidas efetivas para a inclusão social de todos os indivíduos, ou, ainda, para o enfrentamento de problemas ambientais, que comprometem o bem-estar das gerações atuais e futuras. Logo, considerando as cooperativas como proporcionadoras de benefícios como a geração de empregos e a efetuação de serviços positivos ao meio ambiente, esses agentes são essenciais como alternativa à manutenção de uma situação de negligência.

Ademais, a prevalência de posturas alheias a outras vivências reforça a crucialidade do cooperativismo. Nesse contexto, o célebre escritor José Saramago disserta, em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, a respeito dos impactos negativos da deficiente sensibilidade diante de realidades distintas, a qual geraria o silenciamento de indivíduos em um meio social. Destarte, as cooperativas emergem como meios de confrontar tal deficiência de empatia, dado que auxiliam indivíduos e dedicam-se a questões ambientais de maneira altruísta. Além disso, pode-se afirmar que as atitudes das cooperativas atraem a atenção coletiva para as questões que demandam atenção pública, mitigando a condição deficitária de alienamento ao outro na sociedade.

Portanto, verifica-se que o cooperativismo possui expressiva importância como alternativa social. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, agente fundamental para a formação socioeducacional dos brasileiros, a promoção de atividades educativas em ambientes públicos, a fim de informar os cidadãos acerca da existência das cooperativas e de sua importância. Isso deve ser realizado por meio da participação de membros de cooperativas, os quais apresentarão seus projetos. Com isso, espera-se atrair novos participantes aos grupos cooperativos existentes e inspirar a criação de novas associações, resultado que, além de favorecer o desenvolvimento, enfrentará a banalidade do mal.