ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?
Enviada em 15/09/2019
O encontro de admiradores de funk, em shoppings, ficou vulgarmente conhecido como rolezinhos. Entretanto, esses encontros acabaram por revelar o retrato de uma sociedade segregada, que não aceita dividir o espaço com os menos abastados. Além disso, é também um reflexo da negligência do Estado em consolidar políticas de inclusão da juventude.
A princípio, observa-se que esses encontros não agradaram os shoppings, principalmente, por envolver, em sua maioria, jovens negros e pobres da periferia. No entanto, conforme leciona o jurista Carlos Ayres Britto, em sua obra “O humanismo como categoria constitucional”, a livre manifestação é uma cláusula pétrea do ordenamento jurídico brasileiro, e, portanto, toda espécie de movimentos da população deve ser defendida. Sendo assim, em que pese seja flagrante a tentativa de segregação dos shoppings, tal conduta deve ser combatida, por ferir um direito constitucional.
Outrossim, observa-se que, carentes de atividades de lazer, diversão ou manifestação cultural, a juventude enxerga essas reuniões como uma fuga da sua própria realidade. Nesse cenário, é preciso que seja realizado um esforço governamental para incluir essa parcela segregada da sociedade. Desse modo, o investimento nessa espécie de atividades nas periferias poderá servir também para que os jovens se sintam funcionais e parte integrante da coletividade. Um exemplo disso é o Instituto Neymar Jr, que tem o objetivo de ampliar as oportunidades dos adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Assim, a Defensoria Pública deve intervir contra essas atitudes de segregação dos shoppings, por meio da propositura de ações judiciais de dano moral coletivo, com o objetivo de punir o desrespeito aos direitos individuais dos cidadãos. Ademais, o Ministério da Cultura deve investir na criação de espaços para que os jovens da periferia possam realizar atividades de lazer ou manifestação artística. Então, será possível construir uma sociedade menos desigual, na qual a juventude se sinta efetivamente integrada.