ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?

Enviada em 10/12/2020

Praças, parques públicos e “shopping centers” são os principais destinos de muitas pessoas todos os dias. Entretanto, no início da década de 2010, grupos específicos de jovens, pretos e de classe baixa em sua maioria, passaram a se reunir nesses locais em grande quantidade, dando início ao fenômeno social dos rolezinhos. Tal movimento é oriundo da busca por lazer e representa a exclusão social da periferia feita pela elite brasileira.

Em primeiro lugar, ao tratarmos da procura de adolescentes de comunidades pelo divertimento na cidade é indispensável refletir sobre a precariedade nas opções de entretenimento dentro dos bairros mais pobres, o que leva os moradores de uma região a se deslocarem para outra em busca de atrações. De acordo com o 6º artigo da Constituição Federal de 1988, o lazer é um direito social garantido a todos os cidadãos. Logo, quando órgãos municipais não investem no lazer de toda a população, eles estão agindo com displicência frente às normas jurídicas, o que deve ser diretamente contestado.

Ademais, é importante salientar o desprezo social das altas classes para com as classes pobres no Brasil. Durante os “rolezinhos” é comum que, mesmo sem atos de violência, a polícia militar seja acionada para reprimir violentamente o movimento. Segundo a ex-ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, essa segregação social - e racial - é uma reação oriunda do racismo por parte de pessoas ricas e brancas que não aceitam dividir seu espaço com moradores da periferia.

Portanto, de acordo com argumentos aqui defendidos, urge medidas a serem tomadas. Essas, por sua vez, são responsabilidade das Secretarias de Lazer garantirem o sexto artigo da Constituição Federal através da implementação e organização de atividades recreativas, como jogos, festas, manifestações artísticas entre outros, dentro das comunidades. Além disso, cabe às Câmaras Municipais, a criação de normas que sustentem a segurança de grupos de baixa renda que queiram usufruir dos shopping centers e outros locais. Apenas desse modo os “rolezinhos” passarão a ser representados como diversão e inclusão social, ao invés de marginalização e discriminação.