ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?
Enviada em 28/12/2020
O cenário da diversidade cultural no Brasil é tão grande quanto suas desigualdades. A cultura dos “Mc´s”, do funk carioca, por exemplo, representa, em sua maior parte, a juventude negra, periférica, muitas vezes marginalizada. Estas expressões musicais vem crescendo, ocupando mais espaços, como os shoppings, nos chamados “rolezinhos”. O fenômeno social que promove a reunião destes jovens, nestes locais, representa a interação entre camadas socias diferentes. Por conseguinte, os “rolezinhos” acabem sofrendo com danoso preconceito e repressão por parte das instituições e da sociedade, o que reforçam as desigualdades.
Em primeira análise, temos um cenário simbólico, em que valores, costumes e falares são mais valorizados que outros por conta da origem ou da classe pertencente. Isto, segundo o sociólogo Pierre Bordie, denomina o conceito de Capital Cultural. Neste contexto, o funk é muitas vezes diminuido por representar em suas letras, a realidade e vivências associado em grande parte às classes mais baixas. a desvalorização desse Capital Cultural, infelizmente reverbera a discriminaçãoi social e racial.
Ademais, é importante ressaltar o crescente interesse de jovens da periferia em transgredir as estruturas sociais segregadoras, como evidenciado pela exposição de preconceitos latentes, visto que são impedidos de continuar realizando esses encontros nos shoppings - espaço público, porém frequentado em maior parte pela população branca de classes mais altas. Dessa forma, a repressão sodrida por estes grupos traz grandes prejuízos à uma parcela da juventude mais pobre, já que reprime a expressão cultural destes e promove a segregação de espaços públicos, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.
É evidente que há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a promoção de espaços mais democráticos. Portanto é imprescindivel que as prefeituras democratizem o acesso cultural, provomendo eventos e destinando verbas para construção de espaços públicos para jovens da periferia de modo a promover a interação das diversas camadas sociais por meio de campanhas de informação nas escolas e espaços midiáticos, sobre a discriminação social e racial.