ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?
Enviada em 16/01/2021
“Efeito colateral que o seu sistema fez”. Com esse trecho musical crítico, o compositor Mano Brown expressa a situação precária a qual os jovens de periferia estão submetidos no país. Destarte, a falta de opções no meio social, aliada a um cenário majoritariamente capitalista da sociedade, incute na população mais marginalizada um sentimento de opressão, que culmina no acontecimento do fenômeno conhecido como rolezinho. Sob essa ótica, a sua gênese pode ser explicada pela elevada desigualdade no Brasil e a inobservância do Poder Público em relação à essa situação.
Mormente, vale ressaltar que a diferença do poder aquisitivo entre as camadas sociais brasileiras majora o problema. Nesse sentido, o filósofo frânces Foucault diz: “o homem é fruto de um processo histórico”, o qual relaciona o processo de colonização do Estado Nacional a um sistema escravocrata, perpetuando, desde suas raízes, a obliteração social da população negra em relação à camada social dominante. Assim, cria-se uma lacuna, tanto financeira como cultural entre as duas populações, o que ocasiona a perpetuação do sentimento consumista e termina com o protesto estabelecido para reivindicar uma participação no meio capitalista, sob a forma do rolezinho. Nesse ínterim, a desigualdade social é causa primária do fenômeno.
Ademais, o descaso com a população periférica, por parte dos governos públicos, intensifica o sentimento de negligência no aspecto capital e cultural desse nicho social. Nessa conjuntura, o filósofo inglês John Locke conceitua o pacto social, cujo dever do Estado é garantir o bem-estar de toda população. Entretanto, o jornal a Folha de São Paulo veiculou em uma matéria a diferença de representativade das camadas mais pobres e mais ricas, que, segundo o periódico, não apresenta as garantias mínimas de uma qualidade de vida de subsistências àqueles, evidenciando a inobservância política para as pessoas mais pobres. Logo, o não cumprimento do bem-estar social promove a insurgência das periferias no contexto do rolezinho.
Portanto, fica evidente que o fenêmeno é uma resposta à condição desigual entre as classes mais ricas e pobres do país. Dessa maneira, cabe ao Poder Executivo, que é o órgão responsável pela Administração Pública no país, diminuir a desigualdade social e promover a cultura periférica, por meio de investimento direto em benfeitorias às populações marginais e criação de campanhas de valorização da identidade periférica, com o intuito de integrar a sociedade como um todo, tanto nos aspectos financeiros como culturais. Por conseguinte, ter-se-á um país mais homogêneo e sem “efeitos colaterais”.