ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?

Enviada em 26/05/2021

O livro “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade vivendo em perfeita harmônia. No entanto, a população brasileira caminha em sentido contrário a esse cenário, haja vista que jovens periféricos sofrem constante repressão ao buscar reconhecimento, como ocorre nos movimentos denominados “rolezinhos”. É necessário, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar o preconceito vigente na sociedade, que culmina não só na violência, como também na exclusão social.

Em primeira instância, entende-se como “rolezinho” o encontro de muitos jovens periféricos, em locais como shoppings, com intuito de se divertir e paquerar. Desse modo, observa-se que o movimento, geralmente, é interpretado de formas distintas e impacta aqueles que não estão acostumados com essas aglomerações em locais “bem frequentados”. Com isso, pode-se inferir que é justamente essa situação que motiva os jovens a buscarem esse tipo de passeio, já que eles querem atingir uma posição de igualdade e usufruir dos seus direitos de lazer, independente da classe em que se encontra. E nesse sentido, percebe-se que é inadimissível o comportamento de aversão aos “rolezinhos”, haja vista o intuito de algo totalmente normal e esperado para a faixa etária.

Ademais, vale salientar que, muitas vezes, sses grupos possuem características peculiares, como por exemplo: os vestimentos com roupas de marca, cordões de ouro e serem ouvintes do estilo musical funk ostentação. Desse modo, vê-se que a caracterização também parte da ideia de obter reconhecimento social. Diante disso, segundo Jurandir Freire, há na sociedade um sentimento de insignificância, principalmente, das classes inferiores às superiores, que geram uma sensação de não pertencimento à sociedade em que se encontram. Com isso, as formas de se expressarem são únicas e amplamente aceitas no meio de convívio, porém, em um determinado local público, pode ser vista com estranhamento e interpretações preconceituosas, como a de que eles objetivam furtar. Nesse sentido, situações de violência surgem, geralmente por parte de policiais ou seguranças, e “mancham” o movimento do “rolezinho”.

Diante do cenário supracitado, conclui-se que a sociedade age de maneira extremamente preconceituosa, e precisa de transformações. Logo, urge que o governo, órgão responsável pela segurança e igualdade dos indivíduos, dissemine informações acerca desse movimento e o que ele representa. Para que isso ocorra, a campanha “Mais rolezinhos” deverá ser veiculada em redes socias e televisão aberta, com participação de jovens integrantes e seus depoimentos acerca da repressão sofrida, isso fará com que a sociedade se intere acerca desse fenômeno social e diminua o estranhamento vigente. Dessa forma, a população verde e amarela poderá caminhar para o progresso e afastar-se cada vez mais do cenario retratado por Saramago.