ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?
Enviada em 18/07/2021
A introdução das redes de internet possibilitou a ampliação do alcance de interação entre diferentes comunidades. Sob essa perspectiva, manifestações sociais como os “rolezinhos” são reflexo direto do encontro de realidades que buscam ressignificar espaços e ações antes distantes. No entanto, há impasses que impossibilitam a validação de tais fenômenos sociais, ora pela inércia do Poder Público, ora pelo preconceito social, o que torna urgente expor e viabilizar medidas para atenuá-los.
Em primeira análise, é imperativo pontuar que a Constituição Federal de 1988, em seu conjunto de leis, garante a liberdade de ir e vir a todo cidadão, sendo dever do Estado zelar pela plena aplicação destes. Contudo, tal estrutura teórica faz-se pouco efetiva no plano prático, uma vez que o corpo social persiste em rejeitar e resistir a alterações em sua constituição segregante ao invalidar a reunião de um grupo de indivíduos em um lugar comum a todos. Tal conjuntura aponta que as ações governamentais apresentam-se insuficientes em assegurar a aplicação das ferramentas legais de proteção aos direitos civis. Assim, é mister que o aparato legal extravase o campo teórico e afirme-se na práxis, a fim de democratizar o acesso ao espaço urbano.
Outrossim, é categórico postular que o preconceito sociocultural constitui, no país, um dos obstáculos para o reconhecimento da pluralidade cultural existente. Tal fato pode ser explanado pelo tratamento midático dado ao fênomeno em evidência, que além de o retratar como ato de transgressão e de ignorar seu caráter libertador de ressignificar o espaço, esterotipa seu público como um nicho de jovens marginalizados e indesejados dentro dos centros de atenção da cidade. Logo, é substancial que haja a conscientização da sociedade acerca da diversidade do tecido social brasileiro, de modo a evitar distorções prejudiciais ao acesso a direitos básicos e universais.
Em síntese, urge que medidas sejam implementadas para mitigar o quadro em questão. Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio de investimentos públicos, implementar programas de educação e promoção cultural nas escolas, para contestar estigmas e celebrar a diversidade sociocultural presente no Brasil. Ademais, é essencial o fomento de ações públicas nas redes de comunicação, com o propósito de educar os cidadãos sobre culturas marginalizadas. Dessa forma, o Estado e a sociedade superarão de modo promissor e coesivo a problemática vigente.