ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?
Enviada em 13/08/2021
“Rolezinho” é um fenômeno social designado pelo encontro de jovens em festas ou outros objetivos para socialização ou companhia. No entanto, surgiu em torno deste fenômeno um certo preconceito, principalmente por parte das elites, ao condenar este tipo de encontro como “coisa de favelado” ou, ainda, atrair a atenção de policiais. Nesse sentido, o Rolezinho pode ser visto como uma excelente forma de expressão cultural do jovem, principalmente como forma de socialização entre pessoas diferentes e emancipação familiar, por exemplo. Por isso, é preciso analisar o fenômeno como fato sociológico e explicar a relevância do seu papel social.
A princípio, sob um prisma sociológico e ontológico, o fenômeno social do Rolezinho, enquanto suprassunção do essente, representa a tomada de consciência-de-si e o abandono do mero status de ser-outro dos jovens que, antes, recebiam determinações sociais diretamente de seus pais, numa relação dialética entre senhor e escravo. Nesse sentido, é a emancipação da prole, que deixou de ser adorno social e se torna verdadeiramente ser-em-si e para-si, autônomo, dono de seu próprio eu, determinando-o baseado nas próprias escolhas.
Em outra análise, o jovem “Rolezeiro” é, antes de mais nada, um revolucionário contra o modelo tradicional e opressivo de família, no qual o patriarca é o eu absoluto, tratado como aquele que encerra em si mesmo todas as oposições sociais e ontológicas da familia, enquanto a mulher e os filhos são meramente um ser-outro, ou consciência-fora-de-si. Nesse sentido, sob a forma de parábola, emancipar-se do patriarca é negar de si mesmo o status de servil e substitui-lo pela liberdade, é o objeto limitado (prole) e o eu limitado (mãe), dissolvendo de si-mesmo o status ontológico de mero acidente, isto é, efêmero, transitório.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para incentivar a prática do Rolezinho entre os jovens. Destarte, as instituições de ensino brasileiras devem promover um encontro entre os jovens para conversar sobre a socialização e a emancipação familiar como fatores positivos para o sadio desenvolvimento socio-emocional dos estudantes, por meio da organização semanal desse evento feita pelas secretarias municipais e coordenado pelo Ministério da Educação, a fim de que se crie jovens mais independentes e responsáveis por si mesmos. Somente assim, será encerrado o preconceito entorno da prática do Rolezinho e finalmente será garantido o pleno desenvolvimento do jovem perante o mundo.