ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?

Enviada em 02/09/2021

Em meados do século XX ocorreu nos Estados Unidos um grande movimento de jovens, o qual tinha como lema  “Paz e o Amor”, além disso, o som do rock e manifestações políticas contra guerras ocupavam temas centrais nos encontros. Nesse contexto, nota-se, contemporaneamente, que os jovens brasileiros, inspirados pelo “funk ostentação”, são marginalizados ao tentarem buscar lazer nos chamados “rolezinhos”. Tal fato se justifica porque o movimento social vindo da periferia é visto como ato criminoso, além disso, as autoridades brasileiras incompreendem o desejo desses jovens de ocupar lugares melhores do que os ofertados nas favelas.

Primeiramente, é preciso elucidar que os “rolezeiros”, em sua essência, são movimentos de  jovens que procuram diversão em grupo, entretanto, a aglomeração desses adolescentes em locais de classe média, como os “shopping centers”, é visto, pelas autoridades e frequentadores desses ambientes, como ameaça à intergridade física dos usuários padrões daquele tipo de espaço. Segundo a Central Única de Favelas (Cufa), os “rolezeiros”, em grande parte, são expulsos dos “shoppings” sem nenhum motivo, o que deixa claro a decisão preconceituosa das direções de tais empreendimentos. Nesse sentido, nota-se que os jovens de periferia são esteriotipádos, ou seja, são marcados como criminosos pela aparência, como pele negra, usuários de boné e bermuda, constrastando com o frequentador padrão da classe média brasileira.

Outrossim, pode-se notar que o jovem “rolezeiro”, insipirado pelo “funk ostentação”, busca lugares que possibilite mais luxos que a periferia. De acordo com o professor e filósofo Clóvis, o ser humano busca sua felicidade na realização dos outros. Nessa lógica, percebe-se que o som do “funk ostentação” é o grito da periferia pelo direito de gozar do melhor, em questões materiais, do que a sociedade pode oferecer, tendo no jovem o ator mais emblemático, buscando melhores lugares para conviver do que a favela pode lhe oferecer.

Desse modo, faz-se necessário assegurar aos jovens do “rolezinho” tratamento digno na busca por lazer. Para isso, será necessário que a Polícia Militar e diretores de “shopping centers”, por meio de palestras ministradas por antropólogos, desmistifiquem o preconceito de que todo jovem periférico é criminoso, para que assim, tais adolescentes não tenham seus direitos de ir e vir  restringidos sem motivo. Ademais, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) deve esclarecer à classe mercante que o movimento dos “rolezinhos” é lucrativo, dessa maneira, garantindo o direito dos jovens de consumir produtos de primeira linha. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade em que os “rolezinhos” não sejam entendidos como distúrbio social, mas como parte integrante do todo.