ENEM PPL 2014 - O que o fenômeno social dos “rolezinhos” representa?

Enviada em 06/09/2021

Em meados do século XX ocorreu nos Estados Unidos uma mobilização de jovens, o chamado movimento hippie, o qual tinha como lema “Paz e Amor”, além disso, o som do rock e as manifestações políticas contra guerras ocupavam temas de destaque nos encontros. Nesse contexto, nota-se, contemporaneamente, que os jovens brasileiros, inspirados pelo “funk ostentação”, são marginalizados ao tentarem buscar reconhecimento e lazer nos chamados “rolezinhos”. Tal fato se justifica, porque o movimento social vindo da periferia é visto como ato criminoso, além disso, as autoridades brasileiras incompreendem o desejo do jovem de  ocupar lugares melhores do que os ofertados nas favelas.

Nesse viés, é preciso elucidar que os “rolezinhos”, em sua essência, são movimentos de jovens que procuram diversão em grupo, entretanto, a aglomeração desses adolescentes em locais de classe média, como os “shoppings centers”, é visto, pelas autoridades e frequentadores desses ambientes, como ameaça à integridade física dos usuários padrões daquele tipo de espaço. Segundo a Central Única de Favelas (Cufa), os “rolezeiros”, em grande parte, são expulsos dos “shoppings” sem nenhum motivo, o que deixa claro o preconceito das direções desses locais. Nesse sentido, nota-se que os jovens de periferia são estereotipados, ou seja, são marcados como criminosos pela falta de alto poder aquisitivo, pois não há repercussão negativa quando os jovens de classe média lotam os “shoppings”, mas, paradoxalmente, o mesmo movimento efetudado por negros torna-se socialmente degradante.

Outrossim, pode-se notar que o jovem “rolezeiro”, inspirado pelo “funk ostentação”, busca lugares que possibilitem mais luxos que a periferia. De acordo com o professor e escritor Clóvis de Barros, o ser humano busca sua felicidade na realização dos outros. Nessa lógica, percebe-se que o “funk ostentação” é o grito da periferia pelo direito de gozar do melhor, em questões materiais, do que a sociedade pode oferecer, tendo no jovem o ator mais emblemático, buscando locais diversos, com diferentes possibilidades, para se reconhecer como indíviduo social.

Desse modo, faz-se necessário assegurar aos jovens do “rolezinho”, tratamento digno na busca por lazer. Para isso, será necessário que a Polícia Militar e diretores de “shoppings centers”, por meio de palestras ministradas por antropólogos, desmistifiquem o preconceito de que todo jovem periférico é criminoso, para que assim, tais adolescentes não tenham seus direitos de ir e vir restringidos sem motivo. Ademais, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) deve esclarecer à classe mercante que o movimento dos “rolezinhos” é lucrativo, dessa maneira, garantindo o direito dos jovens de consumir produtos e serviços de primeira linha. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade em que os “rolezinhos” não sejam entendidos como distúrbio social, mas como parte integrante do todo.