ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor

Enviada em 13/03/2026

Immanuel Kant afirmava que “o homem é o que a educação faz dele”. No Brasil, porém, essa máxima esbarra em um paradoxo: embora a educação seja vital, o professor enfrenta um histórico cenário de desvalorização. Esse panorama é sustentado pela negligência estatal e por um estigma social que desestimula a carreira, perpetuando um ciclo de retrocesso.

Em primeira análise, a precariedade das condições de trabalho é um entrave institucional. Apesar do Piso Salarial Profissional Nacional, muitas unidades federativas descumprem a lei, oferecendo remunerações incompatíveis com a função. Somado ao sucateamento das escolas, esse cenário gera a “precarização do trabalho”, resultando em esgotamento mental e na evasão de profissionais para áreas mais rentáveis.

Ademais, a desvalorização manifesta-se no campo simbólico. Historicamente, a docência foi encarada como um “sacerdócio”, o que romantiza a exploração e mascara a necessidade de profissionalização. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil possui um dos menores índices de prestígio social do professor. Essa percepção afasta jovens das licenciaturas, criando um apagão de docentes qualificados que compromete o futuro das próximas gerações.

Portanto, medidas são urgentes para reverter essa invisibilidade. Cabe ao Ministério de Educação, junto ao Ministério da Fazenda, garantir o cumprimento do Piso Salarial e investir na infraestrutura escolar, destinando maior fatia do PIB à educação básica. Paralelamente, o Governo Federal deve promover campanhas que ressaltem a importância estratégica do mestre. Somente unindo remuneração digna e reconhecimento, o Brasil transformará a educação em uma realidade transformadora.