ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 08/10/2019
No Brasil, em uma típica sala de cursinho pré-vestibular, é possível observar uma quantidade expressiva de jovens interessados em cursar engenharia, direito, administração etc. Se o curso for medicina então, o número triplica. Todavia, tem-se um número quase nulo de aspirantes à carreira de professor. Tal fato representa o cenário de menosprezo e desvalorização vivido e enfrentado por inúmeros professores.
Em um primeiro momento, há uma inclinação natural em tentar atribuir essa diminuição de prestígio experimentada pelos educadores aos baixíssimos salários por eles recebidos. Todavia, verdade seja dito: embora exista uma evidente supervalorização do status e da remuneração que cada profissão pode proporcionar, dizer que o declínio do apreço dos professores está relacionado tão somente a aspectos pecuniários seria o mesmo que querer cavar um buraco usando uma colher.
Não se pode propor respostas superficiais a uma questão tão complexa. Isso porque os motivos por detrás desse cenário remontam a aspectos que vão desde a falta de estímulo dos jovens no processo de aprendizagem até o excesso de informação presente no mundo virtual. Sim, há muito conhecimento disponibilizado na internet.
Para acessá-los basta um clique e milhares de dados relacionados ao assunto escolhido aparecerão. Diversos estudantes preferem procrastinar, deixando de ouvir atentamente a lição que seu professor presente ensina, para, talvez mais tarde, procurá-la na internet. Além disso, torna-se difícil competir com os “superprofessores” dos diversos canais de cursinhos preparatórios do YouTube, quando falta didática e recursos para captar a atenção e motivação dos milhares de adolescentes espalhados pelas escolas brasileiras. Nessa linha, sabe-se que aprender é um processo ativo e individual. No entanto, ter um professor capacitado no que tange à oratória e às técnicas de aprendizagem, facilitará o engajamento dos alunos na matéria, além de lhes dar a chance de enxergar uma matéria, anteriormente enfadonha, como algo incrível.
Inúmeras melhorias podem ser feitas nas escolas brasileiras, políticas públicas podem ser implantadas, cartilhas reelaboradas, material de estudos incrementados. Porém tudo isso será pouco eficaz se não houver investimentos diretos na figura do professor, capacitando-o e o atualizando atualizando-o para que acompanhe as novas demandas da sociedade, além de merecidas melhorias salariais. Fato é que uma coisa é certa: não há como falar de educação, sem antes falar do professor.