ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor

Enviada em 17/10/2019

No filme ‘‘Sociedade dos Poetas Mortos’’, Robin Williams interpreta um professor de literatura que chega para lecionar em uma tradicional escola privada nos Estados Unidos. Aos poucos, o mestre ousado, à medida que leva debates filosóficos e sociais para a sala de aula, transforma-se em um ídolo para os alunos, que são levados a uma espécie de libertação de pensamento. Paralelamente, ao traçar um comparativo da história fictícia com o panorama brasileiro, percebe-se que no Brasil, o profissional da educação é pouco valorizado. Nesse sentido, é lícito afirmar que o Estado, somado à parcela da sociedade civil, contribui para essa problemática histórica e desafiadora.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte da administração pública brasileira, uma desvalorização secular para com o professor. Essa lógica é comprovada pelos baixos salários e incentivos oferecidos pelos planos de carreira a esses profissionais, em especial, aos que atuam na educação básica. Instituídos para ser uma política de regulamentação e valorização dos educadores, os Planos de Cargos e Salários da educação pública tornam-se absurdos ao oferecer, irresponsavelmente, baixos rendimentos, incompatíveis com a importância e atuação dos professores no país. Logo, é substancial a mudança desse quadro, que ignora proventos dignos para agentes tão relevantes na formação da cidadania.

Outrossim, é imperativo pontuar a postura inerte de parte da sociedade civil, que aceita, de forma passiva, o tratamento dado aos professores. Por esse ângulo, é perceptível que a categoria dos profissionais da educação muitas vezes encontra-se isolada em audiências públicas e manifestações, sem apoio popular. Em decorrência disso, essa categoria é enfraquecida, e acaba por não ter suas demandas efetivadas. Sob esse aspecto de importância da ação do grupo para alcançar objetivos, Hannah Arendt, filósofa alemã, diz: ‘‘O poder emerge onde quer que as pessoas se juntem e ajam em conjunto’’. Destarte, ao aplicar a visão da pensadora para a luta pela educação, percebe-se que é relevante a mobilização de toda a sociedade, e não apenas dos professores.

Infere-se, portanto, que o poder público e a sociedade devem trabalhar para o desafio de valorizar o professor. Posto isso, o Ministério da Educação - órgão máximo de gestão educacional do Brasil - deve, mediante amplo debate entre educadores, Poder Legislativo e Secretarias Estaduais de Educação, reformular o Plano de Carreira dos professores do país, a fim de oferecer maiores rendimentos, compatíveis com a importância dessas pessoas e, dessa forma, oferecer mais dignidade, autonomia e conforto a esses profissionais. Ademais, tal Ministério deve também, por meio de campanhas na mídia televisiva, convidar a sociedade civil a engajar-se na valorização dos mestres.