ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 19/05/2020
Salário baixo, agressões e precariedade na sala de aula: o cotidiano do professor no Brasil
O filme “Escritores da Liberdade” conta a história da professora Erin Gruwell, que no início de sua carreira se depara com o desafio de lecionar em uma escola onde a rivalidade entre gangues de latinos e de negros é intensa. Além dos problemas sociais visíveis em seu ambiente de trabalho, a educadora é alvo de piadas e de preconceito. Apesar de o filme retratar uma realidade norte-americana, ela pode ser transferida para o cenário brasileiro, já que, além de serem desrespeitados e mal remunerados, esses profissionais da educação trabalham em condições precárias nas escolas públicas.
Pode-se tomar como um primeiro exemplo o fato de muitos profissionais sofrerem agressões físicas ou verbais. Segundo a Agência Brasil, a pesquisa de 2019 do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) revela que pelo menos 54% dos profissionais do estado foram atingidos por esse tipo de conduta dentro de sala. Isso demonstra o quão insignificante a figura do professor se tornou para milhares de estudantes, além de expor um grave problema de violência na adolescência. Muitos mestres nunca mais conseguem lecionar devido aos traumas causados, outros precisam de acompanhamento psicológico e remédios para exercer sua função.
Um segundo ponto a ser analisado é o fato de o próprio Governo Federal e o Ministério da Educação não contribuírem para uma visão positiva dos docentes. Com salários baixos e uma enorme deficiência de aparatos tecnológicos e básicos também - computadores, projetores, internet, tablets e, dependendo da escola, carteiras e cadeiras -, os mentores têm poucas chances de incrementarem suas disciplinas, demonstrando aos alunos a relação dos conteúdos programáticos com o cotidiano deles, através de músicas, filmes, vídeos, pinturas, etc., o que deixaria o conhecimento mais palpável e real.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse da desvalorização dos professores no Brasil. Sugere-se que o Ministério da Educação junto com as Secretarias da Educação de cada estado criassem um projeto de lei para que o número de alunos fosse reduzido a quinze estudantes por sala, tanto na rede pública quanto na particular. A reestruturação física da escola e o orçamento necessário poderiam ser baseada no número de matrículas efetivadas em cada instituição. Desta forma, os professores teriam a oportunidade de trabalhar mais de perto com cada estudante, acarretando na melhora do desempenho escolar deles. Isso demonstraria com maior eficacia como o papel do professor é importante na vida de cada cidadão. Além disso, o Ministério do Trabalho poderia estabelecer que o teto salarial da categoria seria de R$ 4.000,00, o que estimularia os profissionais a buscarem aperfeiçoamento e a terem um melhor desempenho profissional.