ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 13/06/2020
O filósofo Alemão Theodor Adorno expõe em sua obra a ideia de que a educação tem o papel de evitar a barbárie e buscar a emancipação humana. Com isso, é notório que, a busca por novos conhecimentos e sua transmissão entre gerações proporcionou o desenvolvimento das sociedades. Nesse contexto, é de extrema importância o papel do professor no processo de busca do saber. No entanto, a desvalorização desse profissional é histórica e na contemporaneidade se mostra em evidência, baixos salários, violência e desvalorização social são fatores que reduzem o número de indivíduos que buscam seguir essa carreira. Faz-se necessário, portanto, implementar medidas para inverter esse quadro.
Em primeiro plano, vale salientar que a desvalorização dos professores ocorreu com o passar das décadas no Brasil. No início do período imperial (1822), o Imperador D.Pedro II reconheceu, em lei, a importância dos educadores para o progresso da nação. Com isso, ele ordenou que fossem construídas escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugares populosos do império. Além disso, estabeleceu remunerações elevadas a esses profissionais, reconhecendo sua importância. Entretanto, apesar do reconhecimento de D.Pedro II, essas medidas não foram consideradas essenciais pela sociedade e com o decorrer dos anos deixaram de ser cumpridas, desvalorizando assim, a docência.
Nesse cenário histórico, uma vez que a valorização dos professores se tornou um desafio, é possível observar suas consequências. Primeiramente, na contemporaneidade, há um baixo incentivo à formação de educadores. Isso se deve, principalmente pela desvalorização de seu trabalho, além da baixa remuneração, as condições estruturais e sindicais das escolas não fornecem o devido suporte à essa classe de trabalhadores, expondo-os a riscos. Exemplo disso é o elevado número de agressões, o Sindicato dos Professores apontou que 54% dos professores de ensino público já foram alvos de agressões. O educador Paulo Freire explica essa ocorrência, segundo ele “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Tal máxima pode ser relacionada à problemática, pois, devido à falta de incentivo e recursos as escolas não consegue realizar sua função emancipadora.
Por conseguinte, faz-se necessário que o Governo Federal, por meio do aumento da verba destinada à educação, melhore as estruturas das escolas e universidades públicas e estabeleça um teto salarial condizente com a função exercida pelos professores, com o intuito de valorizá-los socialmente. Ademais, o Ministério da Educação, por meio dos meios de comunicação - TV e redes sociais - deve incentivar a formação de novos professores, expondo sua importância para o desenvolvimento social e promover uma educação libertadora.