ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 24/10/2020
O filósofo brasileiro Paulo Freire, em sua obra, evidencia a importância da educação como instrumento de promoção de liberdade e manutenção da democracia. Nessa perspectiva, o papel do professor é crucial, pois determina a identidade social do indivíduo como cidadão e constrói base para sua formação profissional. Entretanto, o docente ainda sofre com a desvalorização profissional, uma vez que o negligenciamento governamental acerca da educação atinge diretamente a classe professoral. Logo, faz-se necessário a análise dessa conjuntura, a fim de mitigar os entraves na valorização do professor no Brasil.
Em primeira análise, a desvalorização do professor encontra-se na precária infraestrutura de atuação e na baixa remuneração salarial, que é condicionada pela falta de investimento público na educação. Dessa forma, a atuação do profissional fica limitado e promove consequências na formação dos estudantes. Como mostra o documentário “Nunca me Sonharam”, no qual expressa a realidade vivida por professores de uma região do país menos abastada, que lutam contra os empasses na promoção de ensino diante dos fatores econômicos e sociais como agentes limitantes. Assim, prejudicando a construção da identidade social do aluno, por conseguinte a sua formação como cidadão e desprestigiando o trabalho do docente.
Além disso, o professor inserido na situação degradante de atuação sofre com a opressão do sistema, já que para adquirir uma renda na qual atenda a sua demanda pessoal, submete-se a longas jornadas exaustivas de trabalho. Dessa maneira, expõe-se à situações que desencadeiam esgotamento físico e emocional, ademais desgastam sua saúde mental. Por conseguinte, tornam-se mais vulneráveis e propícios a desenvolver transtornos neuronais, como depressão, síndrome de Burnot ou até mesmo síndrome da personalidade limítrofe em troca de baixa recompensação salarial. Assim sendo, de maneira análoga, mais um caso de desvalorização a classe professoral.
Infere-se, portanto, que para valorizar o docente na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Educação, junto ao Ministério da Fazenda realizem uma ação conjunta de reforma trabalhista e reforma infraestrutural nas escolas, por meio do aumento de salários e benefícios aos professores e investimento massivo na educação, a fim de melhorar a realidade dos profissionais, além de romper com o paradigma social da profissão desvalorizada e pouco atrativa, e contribuir para uma formação acadêmica de excelência e qualidade. Diante da proposta, o Brasil dará o primeiro passo na valorização do professor e da educação, e contribuirá na construção de indivíduos que promovam a liberdade e atuem como agentes críticos na sociedade.