ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 10/11/2020
Durante a Antiguidade Clássica, no século IV, o professor fazia parte da classe dos escravos, o qual não tinha prestígio social, bem como apoio governamental. Nesse sentido, pesar de vários séculos terem passado, no que tange ao Brasil hodierno, o corpo docente ainda enfrenta diversos entraves para sua efetiva valorização. Dessa forma, convém compreender como a negligência estatal e o enaltecimento econômico formam esse quadro, para mitigá-lo.
Em primeiro plano, é indubitável que o descaso do poder público promove a problemática. Segundo a Carta Magna de 1988, a educação é de responsabilidade estatal, o qual deve garantir recursos para seu acesso. Todavia, vê-se que essa norma limita-se apenas à teoria, pois em relação aos docentes, o poder executivo é omisso, seja pelos baixos salários desse grupo, seja pela escassa oferta de recursos pedagógicos para exercer o ofício, logo, demonstra o quanto esses profissionais não são reconhecidos. Diante disso, conforme dados do site G1 a maior parte dos professores tem mais de uma formação acadêmica devido o déficit salarial, o que evidencia um quadro intolerável para o país.
Ademais, nota-se que a valorização excessiva do capital também impede que o docente seja reconhecido. De acordo com Sêneca, filósofo romano, a educação em uma sociedade deve ser priorizada, pois influi sobre toda a vida. Entretanto, é perceptível que essa ideia não incorporada pela maioria dos brasileiros, uma vez que devido à ideia de glamourização da condição econômica e status social, o professor, que não possui um alto poder aquisitivo, é menosprezado socialmente. Prova disso, é a persuasão dos pais para que o filho não siga carreira de educador em virtude da a baixa posição social, desse modo, é urgente reverter isso, pois retira todo mérito e devida importância desses profissionais.
Infere-se, portanto, a necessidade de ações que combatam esse impasse brasileiro. Sob essa ótica, o Governo Federal deve reconhecer e incentivar o trabalho dos docentes, por meio de mais verbas para as escolas, direcionadas a ações como, aumento salarial e ofertas de instrumentos pedagógicos para dar aula, a fim de que esses profissionais sintam-se valorizados. Outrossim, é mister que a mídia desconstrua a desvalorização do educador diante sua condição monetária, mediante publicidades nas redes sociais e canais de televisão, com depoimentos de alunos que enfatizem a importância do professor e a necessidade de enaltece-lo. Para que assim, situação do docente brasileiro não seja mais um reflexo de séculos atrás.