ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor

Enviada em 27/12/2020

Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, “a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta”. Com efeito, percebe-se que a desvalorização do professor remete à premissa de Sartre, uma vez que representa uma violência contra a dignidade dos profissionais da educação. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar a fuga de cérebros e a importância dos professores da formação da população.

Nessa perspectiva, é válido postular que, de acordo com o censo realizado pela Secretaria do Tesouro Nacional, as despesas do governo com educação vêm registrando queda nos últimos anos. Como consequência, o ambiente de trabalho, os materiais didáticos e os salários dos professores encontram-se em situação precária e, por conta disso, os mesmos buscam meios para contornar tal situação. Destaca-se, nesse sentido, a fuga de cérebros, em que profissionais especializados, como professores e cientistas, recorrem à emigração para países em que o corpo docente e a produção tecnológica são prestigiados. Sendo assim, pode-se afirmar que a desvalorização do magistério compromete a educação, a produção cientifíca e a economia do país.

Por conseguinte, deve-se avaliar o papel dos professores na formação de pessoas íntegras e aptas ao mercado de trabalho. Certamente, é indubitável a importância dos educadores infantis no desenvolvimento primário do ser humano, tendo em vista seu papel proeminente no estímulo dos campos congitivo, social e afetivo. Posteriormente, esses indivíduos entram em contato com o meio acadêmico, no qual, por meio do auxílio de professores universitários, desenvolvem com mais proficiência seu senso crítico, suas relações interpessoais e são expostos ao meio científico, o que os prepara para ingressar na seara laboral com competência. Percebe-se, então, a importância do professor na vida social e profissional dos cidadãos e, por isso, o educador deve ser valorizado.

É mister, portanto, buscar soluções para esse impasse. Para tanto, urge que sindicatos desse ofício realizem mutirões em vias públicas e em redes sociais, por meio da mobilização popular pacífica, objetivando pressionar o governo a ampliar as verbas de escolas e universidades para evitar a fuga de cérebros do país. Ademais, compete ao Ministério da Educação, por meio da veiculação de campanhas publicitárias, sobretudo nas redes sociais mais utilizadas pela população, divulgar publicações que estimulem a valorização dos membros do magistério, com fito de difundir o reconhecimento da profissão do educador como essencial à sociedade. Assim sendo, a violência contra a dignidade desses profissionais, citada por Sartre, será erradicada.