ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 31/12/2020
De acordo com William Arthur Lewis, economista britânico, a educação nunca foi considerada uma despesa, mas sim um investimento com retorno garantido. Entretanto, na atual conjuntura sociopolítica brasileira, a realidade vivida é o oposto àquela pregada pelo estudioso, já que problemas de cunho educacional, como a questão da valorização docente, são imbróglios para a concretização da máxima referida. Dessa forma, esse quadro anômalo é fruto da violência contra o professor e do déficit salarial. Portanto, esses problemas, que se tornaram fenômenos sociais, precisam de um olhar crítico, a fim de serem solucionados.
Em primeiro plano, é necessãrio analisar a relação conflituosa entre o docente e o dicente no espaço escolar. Diante disso, segundo uma pesquisa divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a estrutura brasileira possui a maior porcentagem de casos de violência contra os profissionais, de forma que 12,5% desses trabalhadores confessaram sofrer agressões físicas e verbais periodicamente. Por meio disso, constata-se a intensa repressão a que os profissionais da educação são submetidos, bem como o violar de seus direitos constitucionais, a saber, o de segurança, conduta inacessível a esses cidadãos no exercício do seu labor, fato que contribui para a desvalorização do serviço prestado. Dessarte, a reversão do entrave gerado é mister.
Outrossim, a observação da precária monetização voltada aos profissionais licenciados é obrigatória. Por isso, o aumento salarial é preciso para uma maior importância dessa profissão no seio social. Logo, por meio de um relatório publicado pela mesma organização - OCDE -, os professores brasileiros recebem, como remuneração anual, a metade obtida pelos outros docentes de países aliados à esse órgão; enquanto a média destes alcança U$ 50.000, a do território brasileiro é de U$ 25.000. Assim, o baixo pagamento da área educacional gera a evasão de estudantes e de formandos para outras áreas, o que acarreta na falta de apreciação do setor e na diminuição de professores, de forma a adquirir um déficit de docentes - dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP).
Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é imprescindível. Sendo assim, o Tribunal de Contas da União, ao lado do Ministério da Educação, deve criar unidades de centros psicológicos nas escolas voltados ao trabalho educacional e legislações que garantam o crescimento salarial docente. Por consequência, com o acompanhamento comportamental dos alunos e dos professores, alcançar-se-á um estado de bem-estar físico dos trabalhadores, um crescimento percentual dos ingressos em cursos de licenciatura e uma sociedade na qual o pensamento do autor seja possibilitado pela efetivação das ações públicas.