ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 11/01/2021
“Sabedoria do povo daqui é o medo dos homens de lá”. Com tais versos, da canção “Deixe o menino jogar”, o grupo musical Natirruts ressalta o quanto a educação pode transformar uma sociedade. No entanto, essa potencialidade não tem sido desenvolvida no Brasil, visto que observa-se ainda, uma dificuldade em valorizar o professor. A partir disso, faz-se pertinente analisar como os professores tem atraído a atenção dos alunos e como as instituições pedagógicas com seus programas curriculares não tem dado a oportunidade do professor desenvolver seu papel no processo de ensino/aprendizagem.
Em primeira intância, cabe reconhecer como propulsor desse quadro, a falta de criatividade do professor em atrair a atenção do aluno para determinado assunto ou matéria. Nesse contexto, ganha relavância os estudos do sociologo francês contemporâneo Edgar Morin, que desenvolvem o conceito de “pensamento sistêmico”, segundo o qual, em vem da especialização das disciplinas, é necessário um movimento transdisciplinar, que possibilite uma interpretação mais integral do mundo, ao considerar as mais diversas redes de relações de causa e efeito. Sob essa lógica, fica claro que quando o professor se propõe a investir em outros métodos de ensino, para atrair a atenção de seus alunos o seu trabalho e sua dedicação são valorizados pela instituição de ensino e pelos alunos e até mesmo os pais.
Outrossim, destaca-se a influência das instituições pedagógicas. Sobre esse aspecto, cabe ressaltar o pensamento do filósofo brasileiro Paulo Freire, especificamente quando ao seu conceito de “Educação Bancária”, caracterizada pela relção de verticalidade entre docente, que “deposita” conteúdos e discente, que pode se tornar um ser acrítico e sem criatividade. Sob ta parâmetro, mostra-se claro que quando tirado o direito ao processo de ensino/aprendizagem do professor, onde ele ao mesmo tempo ensina e aprende criando novos pensadores, o ensino volta-se para transmissão de conteúdos e os alunos permanecem no papel de repetidores.
Diante de tal cenário, é imprecindível que medidas sejam executadas visando á atenuação do problema. Para tanto, o professor deve investir em métodologias diferentes de ensino, como uso de instrumentos para a criação de paródias e teatros, mobilizando os alunos a participarem, a fim de que os mesmos absorvam o conteúdo de forma diferente. Ademais, cabe ás instituições de ensino permitirem aos professores o processo de ensino/aprendizagem, promovendo passeios escolares em museus e em outros patrimônios culturais e históricos, criando assim alunos pensadores e não meros repetidores de matéria. Com tais ações, será possível um Brasil com mais valorização dos professores aproximando-se dos versos da canção do Natirruts, “Deixe o menino jogar”.