ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor

Enviada em 15/05/2021

São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, o histórico desafio de valorizar o professor contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, esse grupo é vítima de descaso constante. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do legado histórico e da lenta mudança na mentalidade social.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o legado histórico presente na questão. De acordo com Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o desafio de valorizar o professor, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a lenta mudança na mentalidade social. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica é possível perceber que a questão da valorização do professor é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante/opressor/injusto, a tendência é adotar esse comportamento, também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com governo do Estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem sobre a valorização do professor para os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais empatia, pois como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.