ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 19/07/2021
O Dicionário Oxford elegeu o termo “pós-verdade” como palavra do ano em 2016. A definição faz referência ao fato de que a opinião pública tornou–se mais moldável pela subjetividade do que pela objetividade. Nesse sentido, foca-se na desvalorização do professor no decorrer da história: como detentor de conhecimentos legítimos, tal figura vem tendo sua influência reduzida socialmente, tanto por causa da ignorância das massas quanto aos fatos como ao baixo piso salarial desses funcionários.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função das contínuas revoluções industriais pelas quais a humanidade vem passando, o conhecimento verídico, bem como seu maior moderador (o professor), tem sido cada vez mais ignorado. Essa situação pode ser explicada pelo conceito de alienação proposto pelo filósofo Karl Marx, segundo o qual, as pessoas, por estarem agindo de acordo com um grande sistema de obtenção de lucros, têm suas ações automatizadas. Dessa forma, com os fatores habituais (estáticos) sobrepondo-se aos racionais, os detentores do conhecimento perdem seu espaço.
Além disso, para o sociólogo Max Weber, o dinheiro é um dos meios que oferece a probabilidade de um indivíduo exercer dominação (influência) sobre os demais. Sendo assim, o professor, por causa de seu baixo piso salarial, fica restrito às ações ligadas ao conhecimento e tradicionalismo para obter um maior reconhecimento perante a sociedade. No entanto, conforme anteriormente, os fatores históricos relacionados ao Capitalismo estão bem mais em de acordo com a pós-verdade do que com a verdade em si. Logo, os agente do saber, novamente, têm sua profissão negada pela configuração histórica.
Portanto, a efeito de valorizar mais a verdade e os seus mestres, urge que o Estado aumente a base salarial desses profissionais, por meio de mais verbas destinadas a tal fim. Com esse reparo, consequentemente, as pessoas dariam olhos ao professor e, também dessa forma, para o conhecimento, propondo-se assim uma “pós-alienação” para Oxford.