ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor

Enviada em 14/08/2021

Em um retrato triste, porém sincero, da realidade, o escritor Gilberto Dimenstein traz à tona na obra “O Cidadão Invisível” a desvalorização de alguns indivíduos na sociedade. Para além da ficção, a crítica do autor é vista em meio a desvalorização dos professores, uma questão que persiste há anos no corpo social. Sendo assim, verifica-se um delicado problema, que tem como causas a presença de uma mentalidade social antiquada, somada à negligência estatal.

Nessa perspectiva, é evidente como a permanência de pensamentos obsoletos por parte da população é uma das razões pelas quais o problema existe. Esses pensamentos acarretam, sobretudo, no desprestígio dos professores, cenário dissonante ao raciocínio da ativista Malala Yousafzai, que afirma que um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo. Desse modo, obstante ao pensamento da ativista, que destaca a importância dos professores para a formação humana, é nítido que esses profissionais são alvo de constante menosprezo. Logo, visto que os educadores não têm o seu real valor reconhecido pela sociedade, urge que esse quadro de dificuldades seja revertido.

Em paralelo, vale ressaltar que a falta de ações estatais é outro entrave no que tange à problemática. Diante disso, é pertinente trazer o pensamento de Karl Marx, que considera o governo passivo frente aos problemas sociais. Consoante aos dizeres do pensador, observa-se a carência de intervenções do Estado mediante ao desmerecimento dos profissionais da educação, visto que há uma crescente queda de ganhos dessa parcela injustiçada, fator que prejudica nos seus sustentos. Portanto, faz-se necessário uma mudança de atitudes governamentais, visando uma melhor qualidade para o trabalho desses profissionais.

Assim, tendo em vista os fatos supracitados, é indispensável intervir sobre o problema. Sob esse prisma, cabe o Poder Público investir na valorização dos profissionais da educação. Para isso, o governo deve distribuir verbas para as instituições de ensino pagarem os ganhos dessa parcela, de modo a garantir uma remuneração justa e, consequentemente, um olhar de prestígio por parte da população, que ainda os menospreza. Dessa forma, esses indivíduos deixarão de ser desvalorizados em sociedade, como retrata Dimenstein.