ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor

Enviada em 07/10/2021

Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, profundas mudanças foram impostas à sociedade da época. Diante disso, a criação da primeira universidade do país, na cidade do Rio de Janeiro, acendeu o fervor intelectual e redimensionou a dinâmica acadêmica, um marco para a origem da vivência atual brasileira. No entanto, ao passar das décadas, inúmeras políticas educacionais destituíram do professor o papel de aflorar a busca pelo conhecimento, que somadas às pessímas condições salariais e trabalhistas, compõe o histórico desafio de reconhecer o valor social imensúravel dos docentes para a nação brasileira.

Em primeiro lugar, deve-se destacar as nefastas falhas do sistema educacional brasileiro. Nesse sentido, exemplifica-se o seguinte: os moldes do ensino atuais são arcaicos e já não mais atendem a demanda social. No entanto, o professor ainda precisa se readequar à proposta educacional do currículo escolar e, por conta disso, perde autonomia para explorar o potencial dos alunos em diferentes áreas do conhecimento. Dessa forma, o educador passa a ser um instrumento de transmissão de conteúdo didático, e, por conseguinte, o desinteresse dos discentes, também passivos na construção do saber, geram resultados negativos, que são atribuídos, erroneamente, ao trabalho desenvolvido pelos professores, o que fomenta à desvalorização desse ofício no país. Tal cenário pode ser embasado pelo conceito de ‘‘Cegueira Moral’’, da obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago. No texto, o autor discorre sobre uma sociedade moralmente cega e alheia às problemáticas que a permeiam, bem como o corpo cível brasileiro no que tange ao entrave exposto acima.

Em segundo lugar, outro pilar dessa discussão deve-se às condições laborais insalubres às quais os docentes são submetidos, em grande parte das escolas públicas do país. Nesse âmbito, tem-se salários vergonhosos, média de 20 reais por hora-aula, de acordo com dados do Ministério da Educação. Além de falta de materiais didáticos para prosseguimento de conteúdo, instituições de ensino em condições estruturais deploráveis e, por fim, em consonância com os óbices supracitados, a desvalorização do professor é fomentada pela inobservância do Estado em garantir à resolução desse problema.

Visto isso, urge, que medidas sejam impostas a fim de mitigar essa discussão. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com as Secretarias de Educação, por meio de reuniões com o sindicato dos professores, promovam novo acordo que vise o aumento da hora-aula em escala nacional. Isso deve ser feito, de acordo com a correção inflacionária, ou seja, o aumento salarial dos professores deve ser proporcional à inflação, com o fito de promover justa remuneração à Classe. Somente assim, será possível dar o primeiro passo para superar os históricos desafios desse cenário.