ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 17/11/2021
No filme brasileiro “O Contador de Histórias”, é retratada a vida de Roberto, criado desde criança na FEBEM, onde conhece a pedagoga francesa Margherit Duvas, que o adota, lhe dando a chance de se alfabetizar, estudar e dar asas à sua criatividade. Ambos vão viver na França e, após concluir seus estudos, ele retorna à instituição, como educador. Depreende-se do filme o papel fundamental que a pedagogia exerce na transformação estrutural brasileira, salientando a sua importância nas relações sociais. Contudo, tem-se observado desafios históricos para atingir a plena valorização do professor. Logo, torna-se necessário avaliar o papel social representado por essa classe durante os períodos históricos brasileiros, além de salientar as razões para a sua desvalorização.
Nesse contexto, é oportuno decorrer acerca do status social adquirido pela figura educadora com o passar dos anos: durante os séculos de formação do Brasil como nação, a educação era vista como artigo de luxo, tendo em vista que enviar um filho à Europa para estudar ou contratar um professor particular eram formas de demonstrar poderio econômico, além de instrumento para aumentar as desigualdes sociais, ao passo que as pessoas não letradas eram vistas como subumanas; já no período republicano, a instauração do ensino público gratuito e obrigatório, se, por um lado, pôs fim a essa concepção elitista, por outro, sobrecarregou o sistema educacional ao não entregar as ferramentas necessárias para um ensino de qualidade em todo o Estado. Portanto, entende-se que o professor tem sido tratado como uma mercadoria cujo valor está em consonância com a lei da oferta e da procura.
Ademais, a desvalorização desse profissional foi intesificada durante o regime ditatorial brasileiro, pelo qual o medo da suposta ameaça comunista e das tensões de âmbito internacional colocou o professor como elemento subversivo e inimigo da nação. Atualmente, essa analogia ainda está presente no imaginário social, posto que, durante as greves de professores em 2020, em que estes reinvindicavam melhores condições sanitárias para a realização do seu trabalho durante a pandemia e foram intitulados “comunistas” pela ala conservadora do governo por exercer o direito à greve, defendido pela Constituição. Isso posto, tem-se que a desvalorização do professor também tem raízes ideológicas.
Em suma, a desvalorização social do professor apresenta motivos históricos atreladas à mentalidade capitalista. Logo, torna-se necessária a adoção de políticas públicas pelo Governo Federal por intermédio dos Ministérios da Educação e da Economia para promoverem a valorização desses profissionais através do seu aumento salarial, além de campanhas em prol da valorização da educação, por meio de propagandas midiáticas em canais de streaming focados na juventude brasileira.