ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 18/11/2021
Desde a Grécia Antiga, nota-se que a figura do professor é imbuída de muito prestígio social: ao se pensar a figura de Sócrates, por exemplo, tutor de Platão, fica evidente sua grandiosidade, cujo legado é incontestável, a despeito de seu trágico fim. De maneira semelhante, no Brasil atual, tal ofício é ainda muito valorizado enquanto riqueza intelectual; contudo, não é acompanhado de uma valorização salarial. Isso tem caráter histórico e acontece devido a corrupção sistêmica que assola o país, somada ao baixo investimento em educação pela classe política.
Sob tal perspectiva histórica nacional, observa-se a corrupção como um dos entraves à valorização do professor. Isso, pois esse fenômeno implica desvios na arrecadação da União — desvios por parte do próprio Estado em si, e de empresas, ao sonegarem impostos —, o que compromete a valorização de profissionais da educação, já que se inviabiliza a verba pública. Assim, é assistido, ao longo de décadas, o sucateamento da educação brasileira, que relega os professores à posição de “heróis”, ao trabalharem longas jornadas, em péssimas condições e com ínfima remuneração. Ora, prescinde-se o heroísmo, visto que a educação é um direito previsto pelo artigo 6º da Constituição Federal de 1988. Basta, portanto, que o Estado cumpra a Carta Magna de maneira comprometida, no que concerne à educação, o que pressupõe, mormente, a valorização salarial dos professores.
É cabível pontuar, ademais, que há, no imaginário político brasileiro —sobretudo entre aqueles mais liberais—, a dificuldade em exergar o investimento na educação como fator indispensável para o progresso cultural e econômico do país. Dessa forma, numa situação hipotética, na qual não houvesse corrupção no Brasil, ainda assim, o investimento em educação seria dificultoso, concomitantemente à valorização salarial dos professores. Nesse sentido, a obra cinematográfica “Espero a tua revolta” escancara a indignação dos alunos para com a atual conjuntura das escolas públicas, na medida em que retrata as ocupações nas escolas públicas pelos discentes, que reivindicam mudanças na postura da classe política frente a tal infortúnio.
Por conseguinte, percebe-se que o histórico desafio de se valorizar o professor perpassa pela corrupção sistêmica brasileira, bem como pelo baixo investimento na educação pública. Mudanças nesse sentido devem partir do Ministério da Educação, em parceria público-privada, ao implemetar um teto maior de remuneração aos profissionais da educação, condizentes à dura jornada desses profissionais. Isso seria possível por meio de isenção fiscal às empresas parceiras, de maneira proporcional à contribuição das mesmas na remuneração professoral, a fim de que se cumpra o direito constitucional. Desse modo, as empresas, progressivamente, se engajarão, mitigando tal problemática.