ENEM PPL 2015 - O histórico desafio de se valorizar o professor
Enviada em 16/11/2021
De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, o Brasil assume uma conotação de excelência, o que traça um desenho de um tempo promissor. Entretanto, há uma relevante diferença entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista o panorama da desvalorização do corpo docente — um problema que realça a grande falha na educação brasileira. Assim, é possível afirmar que não só a falta de amparo governamental aos professores, mas também a escassez de percepção da imprescindível função social deles fomentam os impasses do século XXI.
Inicialmente, é necessário dizer que a educação, sobretudo a do ensino básico, é sucateada e desvalorizada, assim como o é a equipe de profissionais por trás da transmissão do conhecimento. Por exemplo, segundo os dados do Governo Federal, o Brasil investre três vezes mais na estruturação dos cursos superiores em relação às instituições de base, um cenário que mostra a indiferença do governo não só aos professores, mas ao sistema de ensino em geral. A priori, é difícil imaginar uma exaltação aos professores com base no próprio descaso atual para com eles — afinal, a desvalorização é um problema de atenção e amparo estrutural.
Ademais, outro tópico importante a se discutir tange à questão da limitada compreensão do papel do professor no futuro populacional. Da mesma forma que condições básicas de salubridade são indispensáveis para uma qualidade de vida satisfatória, os docentes são insubstituíveis devido ao papel transformador da sua profissão, o qual mostra os caminhos possíveis, os aprendizados científicos e, não menos importante, uma esperança para o futuro. A partir dessa perspectiva, fica evidente que o estigma sobre o professor é fruto de uma ignorância social acerca da importância de uma posição que denota admiração, não indiferença.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, conscientizar a população por meio de palestras educativas e campanhas publicitárias que discorram acerca da influência dos professores na vida de alunos, com exemplos reais de vidas transformadas. Além disso, cabe ao Governo Federal promover a equidade entre investimento básico e superior por intermédio de um direcionamento equilibrado de verbas, com um controle permamente da proporção. Espera-se, com tudo isso, um maior respeito e admiração pelo corpo docente em geral, não de forma restrita ou insuficiente.