ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 10/12/2020
O avanço da biotecnologia possibilitou a transgenia, que viabilizou a elevação da resistência das plantas a climas e pragas, além de aumentar a produção de alimentos. Contudo, ao analisar o contexto atual brasileiro, apesar do enorme número de alimentos produzidos, grande parte dele não consegue chegar às mesas da população. Esse fato ocorre devido, principalmente, aos estímulos da modernidade vigente, que ,ao induzir o desperdício, deixa diversas pessoas em condições de fome no país.
Em primeiro lugar, é importante salientar o papel da sociedade moderna em estimular o desperdício no Brasil. De fato, segundo o filósofo Zygmund Bauman, a atualidade pode ser considerada uma modernidade líquida, que, por sua constante mudança, reduz a importância das relações interpessoais, levando os indivíduos a serem mais egoístas e gananciosos. Dessa maneira, os cidadãos, estimulados pela modernidade, tendem a priorizar, na hora de comprar, apenas alimentos esteticamente bonitos, evitando os outros com uma aparência considerada pior. Dito isso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% dos produtos alimentícios são desperdiçados no país no processo de compra em supermercados.
Consequentemente, o desperdício propicia a elevação da fome na nação. Nesse viés, isso acontece conforme a lei da oferta e procura do filósofo Adam Smith, de maneira que o desperdício reduz a oferta sem alterar a demanda, elevando, então, o preço de compra do produto. Consoante a isso, notícias do site G1 afirmam que o preço médio gasto com alimentação por pessoa em um mês no país pode valer até meio salário mínimo. Dessa forma, o alto preço dificulta que parte dos cidadãos se alimentem devidamente, pois, segundo o (IBGE), em 2018, 15% da população estava desempregada, além de 55 milhões de brasileiros estarem em condições de extrema pobreza. Em vista disso, o preço alto e a baixa renda dessas pessoas fazem com que elas vivam em condições de fome.
Portanto, diante desse contexto, para evitar o desperdício e possibilitar que a população tenha uma boa alimentação, cabe ao governo, entidade máxima do poder, em conjunto da mídia, grande formadora de opinião, informar à população que alimentos ‘‘feios’’ não estão necessariamente estragados, além de incentivar o consumo desses. Logo, isso deve ser feito por meio de campanhas e propagandas, com auxílio de nutricionistas. Ademais, é dever também do governo disponibilizar às populações carentes cestas básicas de alimentos, bem como ampliar as políticas de renda mínima, como Bolsa Família, para essa minoria. Esse ato deve acontecer por meio da destinação de verba pública para assegurar a alimentação desse grupo. Assim, será possível reduzir o desperdício e evitar a fome no país.