ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 28/12/2020

“A fome no Brasil é uma grande mentira”. Com essa afirmação, o então presidente Jair Bolsonaro mostrou estar equivocado acerca da real situação de pobreza, potencializada pelo desperdício de alimentos, que representa grave problema. Isso ocorre, sobretudo, pela cultura brasileira de excessos à mesa, bem como pela omissão do Estado.

Convém ressaltar, a princípio, que existem causas históricas desse desperdiçamento. A esse respeito, a formação colonial exploratória e desigual do Brasil contribuiu para que o excesso de alimento à mesa estivesse relacionado ao sucesso, o que motiva o brasileiro a produzir mais comida do que é capaz de consumir. Ocorre que a cultura imprópria do desperdício representa grave mazela construída desde o século XVI, que poderia ser revertida em alimentação para os 5,2 milhões de indivíduos que passam fome no Brasil, segundo o IBGE (2018). Logo, é incoerente que o descarte de comida seja a regra em um nação majoritariamente pobre.

Outrossim, o Estado se faz omisso a esse cenário. Nesse viés, o filósofo John Locke desenvolveu o conceito de “Contrato social”, segundo o qual os cidadãos cedem sua confiança ao Estado, que, em contrapartida, deve - ou deveria - garantir direitos básicos à população, tal como alimentação. No entanto, o Poder Público brasileiro, que poderia reaproveitar a comida desperdiçada em bares e restaurantes, permanece inerte, incapaz de cumprir a ideologia de Locke e oferecer o mínimo para os indivíduos marginalizados: as refeições básicas, indispensáveis para a subsistência digna. Desse modo, não é razoável que as autoridades permitam que tanto alimento seja descartado.

Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para mitigar o desperdício de alimentos na pátria-canarinho. Para que isso ocorra, os cidadãos, no exercício do seu senso crítico, devem evitar o desperdício, por meio da cocção planejada dos seus próprios alimentos, a fim de desestimular a cultura da fartura e do descarte de comida. O Poder Executivo, por sua vez, deve garantir as refeições básicas daqueles que passam fome, por intermédio da regulamentação da distribuição das comidas que sobram em bares e restaurantes, o que atualmente é proibido, com o fito de que o desperdício - e a fome - sejam minimizados no país, e assim o discurso de Bolsonaro poderá se tornar verídico.