ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 09/12/2020
A Constituição do Brasil, promulgada em 1988, menciona que a alimentação de qualidade é um direito social. Percebe-se, entretanto, que não existe a plena concretização dessa garantia, principalmente no que concerne ao tratamento dado ao desperdício de comida no país. Nesse contexto, a questão se agrava não só pelo despreparo de empresas, mas também por inércia estatal.
Em primeira análise, cabe ressaltar que o transporte adequado de alimentos não é de conhecimento de todas as empresas. Nesse sentido, segundo o portal G1, quase metade do desperdício de itens alimentícios no país ocorre durante o transporte, o que evidencia que muitas organizações não tem o conhecimento básico necessário para o manuseio desse tipo de produto (como a necessidade de refrigeração e a capacidade máxima de empilhamento) o que, por consequência, leva ao descarte prematuro. Sob esse prisma, é inaceitável não tomar providências, como a intensificação do treinamento de funcionários na área de logística nas empresas do ramo, com o fito de criar alternativas para a redução do desperdício.
Ademais, enfrenta-se, por vezes, a letargia do Estado. Nesse cenário, o economista britânico John Keynes afirmava que é dever estatal garantir o acesso à alimentação adequada e isso, hodiernamente, deve se refletir em políticas públicas eficientes de combate ao desperdício de comida, como multas de valor elevado às empresas que agirem de forma imprudente em relação à conservação de seus produtos alimentícios. Sob essa ótica, não investir nessas políticas vai de encontro à proposta de Keynes, uma vez que demonstra a displicência estatal em lidar com a problemática.
Infere-se, portanto, que o desperdício de alimentos é um entrave no Brasil. Nessa conjuntura, cabe ao governo federal promover a redução da necessidade de descarte desses itens, por meio da oferta de treinamento logístico aos funcionários e da aplicação de multas às empresas da área, com o auxílio de gestores locais. Espera-se, com isso, diminuir o desperdício e efetivar o direito à alimentação previsto na Carta Magna.