ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 16/12/2020
A teoria Malthusiana, elaborada pelo economista inglês Thomas Malthus no século XVIII, defendia que o crescimento populacional superaria a produção de alimentos, gerando, com isso, fome e miséria. Entretanto, atualmente, sabe-se que um grande gerador desse problema é o desperdício de alimentos, seja ele macro - ao longo da cadeia produtiva - ou micro - feito pelo consumidor final -, que revela um problema muito mais perverso que o proposto acima.
Primeiramente, é preciso destacar que grande parte dos alimentos são perdidos antes mesmo de chegarem ao consumidor final. Acontece que, cerca de 90% do desperdício ocorre na cadeia de produção, durante a colheita, transporte e distribuição, segundo o jornal O Globo, em 2016. Nessas etapas, existem as perdas físicas - relacionadas ao produto que foi perdido no processo ou estava inviabilizado para venda, como os apodrecidos - e as estéticas, ou seja, alimentos descartados por não estarem aparentemente agradáveis, mesmo não estando impróprios de fato.
Em segundo lugar, nota-se também uma continuidade do desperdício no consumidor final, contribuindo para os números alarmantes de perdas de alimentos no Brasil. Nesse caso, além de agravar as perdas causadas por estética, priorizando alimentos sem imperfeições - como frutas -, existe também a compra exagerada, logo, inconsciente, de comida, que pode estragar se for perecível ou vencer, sendo descartada. Juntos, esses dois fatores citados somam 40 mil toneladas de alimentos por dia, segundo pesquisa de 2016 da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), quantia mais do que suficiente para sanar os problemas de fome no Brasil.
É evidente, portanto, que a falta de ações governamentais e consciência da população contribuem fortemente para o grave problema de desperdício de alimentos no Brasil. Para combater esse problema é necessário que, o Ministério da Agricultura crie um órgão especializado em reduzir o desperdício, por meio de sistemas de distribuição mais eficientes e redução no preço daqueles menos esteticamente agradáveis, de modo a estimular o consumo dos mesmos, a fim de reduzir a quantidade de alimento perdida anualmente. Somado a isso, o Ministério da Educação deve promover uma campanha conscientizadora, via mídias audiovisuais, buscando incluir o consumidor final nessa campanha contra o desperdício no Brasil.