ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 19/12/2020
Na obra “Quarto de despejo”, de Carolina de Jesus, retrata as adversidades que sua família enfrentou, dentre elas a fome, enquanto muitos ricos jogavam fora. Torna-se evidente que essa prática se repete rotineiramente no Brasil. Sob essa ótica, o individualismo em excesso, bem como a cultura do consumo exacerbado, são fatores que contribuem para o desequilíbrio social.
A princípio, é importante ressaltar que após as Revoluções Industriais do século XIX, o ser humano passou a agir de forma individualista. Segundo o filósofo contemporâneo, Zygmunt Bauman, a sociedade vive relações líquidas e superficiais. Percebe-se, nesse viés, a falta de alteridade e empatia com a dor do outro, exemplo disso é o alto índice de desperdício de alimentos, sendo que muitos passam fome, comprova dados do Embrapa, que mais de 30% dos produtos comestíveis são descartados. Por conseguinte, a desigualdade social segue as mesmas proporções de aumento, mesmo assim o individualismo governa as interações no tecido social.
Ademais, convém relacionar que os hábitos de consumo descontrolado favorecem a agravante crise de desperdício. De acordo com Hans Jonas, em seu livro “Princípio da responsabilidade”, as práticas humanas devem visar uma sociedade futura mais igualitária e harmônica. Entretanto, as ações do homem destoam do pressuposto dito pelo filósofo, tendo em vista que as compras de produtos supérfluos que aparentemente são necessários, corrobora para o descarte e desperdício, sendo que poderia ser útil para muitos indivíduos. Logo, é preciso conscientizar e educar as pessoas, a fim de não só comprarem de forma consciente, mas também no próximo e como ajudá-los.
Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que o Brasil não se torne um quarto de despejo, e sim uma confortável sala. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, instância máxima da esfera educacional, inserir disciplinas curriculares voltadas para a educação alimentar, o desenvolvimento de empatia e um olhar crítico para situações sociais, com o objetivo de fazer os discentes tentar melhorar as suas condutas a fim de dirimir os problemas. Além do mais, o mesmo órgão, juntamente com o governo, deve estabelecer pontos fixos nas cidades, para a doação de alimentos, assim o desperdício seria menor. Dessa forma, a geração futura não teria os mesmos impasses que a atual.