ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 29/12/2020
No filme “Tá Chovendo Hambúrguer”, Flint Lockwood, cientista da ilha do atlântico Boca Grande, desenvolve uma máquina capaz de transformar água em comida, que atraiu diversos turistas. Houve ,assim, uma superprodução de alimentos e, consequentemente, o desperdício desses. Fora das telas, o desperdício de alimentos no Brasil é um grave problema de contornos específicos, em virtude da cultura da fartura e das ideologias capitalistas.
Diante desse cenário, cabe discutir, a princípio, as origens históricas do impasse, que, de acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, permitem interpretar adequadamente as ações coletivas. Nesse sentido, a formação colonial exploratória e desigual do Brasil contribuiu para que o excesso de alimentos à mesa estivesse relacionado ao sucesso, o que motiva, até os dias de hoje, a produção em excesso de alimentos. Sob essa lógica, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura(FAO), cerca de 30% dos alimentos produzidos no país são desperdiçados, o que configura grande mazela, haja vista que 10 milhões de seus cidadãos são assolados pela fome, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Dessa forma, percebe-se a contradição entre a fome e o descarte de alimentos no Brasil, que não são reaproveitados.
Outrossim, a indústria incentiva ao consumo exacerbado por meio de propagandas e embalagens chamativas, corroborando para a perpetuação do problema. De acordo com o ideário do filósofo Karl Marx, o capitalismo faz com que a busca incessante pelo lucro ultrapasse os valores éticos e morais. Nessa perspectiva, quanto maior a demanda pelos produtos alimentícios, maior é a sua produção, seu consumo e seu desperdício, alimentando assim um ciclo que possui como consequências o aumento de preço dos alimentos e, por conseguinte, a desigualdade social contra os grupos vulneráveis.
Portanto, faz-se mister que ações atenuadoras da situação sejam tomadas. Para desestimular o desperdício, cabe às Organizações Não Governamentais estabelecerem o senso crítico da população, por meio de campanhas que a sensibilize quanto a vasta quantidade de indivíduos que passam fome no país, a fim de que esses passem a evitar o desperdício, planejando devidamente a produção e consumo de seus alimentos. Essas deverão ser divulgadas amplamente nas redes sociais, utilizando-se de linguagem clara e da associação de imagens e textos impactantes. Urge também, ao Poder Executivo, garantir as refeições básicas daqueles que passam fome, por meio da regulamentação da distribuição das comidas que sobram em restaurantes e bares- atualmente proibida. Desse modo, espera-se que situações análogas à ilha fictícia, Boca Grande, deixem de ocorrer no presente.