ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Desde meados do século XVIII, devido a Revolução Industrial, observou-se o avanço do capital, sucessivas ondas de inovações e altas taxas de produção alimentícia, obtidas por meio de novos equipamentos e pelo avanço nas formas organizacionais de tempo espaço. À luz disso, é neste período que foi perceptível o crescimento exponencial da população e a demanda pelo aumento de produtividade dos alimentos, que consequentemente, foi acompanhada pelo desperdício dos mesmos. Entretanto, constatou-se que o desperdiçamento alimentar é um fenômeno vigente até hoje as atuais, uma vez que seja predominante o consumismo gerado pelo mundo capitalista e pelas falhas infraestruturas no cultivo de alimentos.
Em primeiro plano, destaca-se que o capitalismo foi o principal fator que proporcionou avanço consumista. Isso decorre, de acordo com o geógrafo Milton Santos, na sua obra “Por uma outra globalização” de que o capitalismo gerou desordem social e mudanças profundas nos hábitos cotidianos, graças ao avanço técnico científico, corroborando um ideal de ter para ser. Dessa forma, a partir do momento que o capitalismo cria uma necessidade exacerbada de consumo alimentício, a sociedade se torna mais suscetível à compra, com o objetivo de alcançar determinados padrões materiais impostos e saciar a sede consumista. Por consequência disso, o desperdício de alimentos tende a aumentar, já que os indivíduos obtém mais do que realmente precisam.
Além disso, nota-se, ainda que falhas infraestruturas no cultivo e transporte são outros motivos que agravam a problemática. Desse modo, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o homem está voltado para a realização de seus próprios interesses, ignorando os outros indivíduos que possam precisar de auxílio alimentar. Sendo assim, os grandes distribuidores não possuem cautela na colheita e no transporte, já que é visível o plantio de insumos alimentícios inadequados para o terreno, a falta de correção do solo e de adubação, a aplicação imprópria de agroquímicos e a perda de alimentos durante a distribuição. Por conseguinte, altas taxas de desperdício afetam os menos favorecidos, o que gera a insegurança alimentar, pois as grandes empresas não visam pela redução de desperdício, e sim, pelo lucro.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para conscientização da população à respeito do problema, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que propaguem a importância do consumo consciente de alimentos, com objetivo de alertar os danos ambientais e sociais causados pelo desperdício excessivo dos mesmos. Além disso, é de suma importância que o Governo em junção a Organização das Nações unidas para Alimentação, aplique verbas nas políticas públicas que visam taxar e punir os distribuidores que produzem e desperdiçam excessivamente, assim como, devem exigir a utilização responsável do solo e produção consciente. Somente assim, será possível minimizar a perda alimentar no Brasil, contribuindo para que o país atinja um estágio oposto descrito por Hobbes.