ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 26/08/2021

Necessidade ou ostentação?

No Brasil colonial era considerado esteticamente bonita a mulher que possuía “carne”, ou seja, que estivesse no peso ideal ou acima dele. A razão disso era que, de acordo com a população da época, a mulher que pesava mais era a que mais tinha fartura alimentícia em casa. Da mesma maneira, ainda existem registros de pessoas que acreditam na beleza estética somente por poder ou não ter alimentos a mesa. Por conseguinte, provoca-se o desperdício de alimentos e, consequentemente, o quadro da desigualdade nutricional e a perpetuação de esteriótipos como esse.

Em primeiro caso, a desigualdade nutricional no Brasil é consequência direta do desperdício de alimentos. Ademais, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), morrem de fome cerca de 15 pessoas por dia no Brasil. Desse modo, entende-se que enquanto há um grande desperdício, há também uma grande fome, e da mesma maneira que milhares de pessoas têm sobrando, outras milhares não possuem. Logo, se todo alimento desperdiçado durante a cadeia de produção fosse canalizado a pessoas carentes nutricionalmente, haveria uma significativa diminuição no quadro da fome no Brasil. Por isso, medidas hão de ser implantadas em razão dessa problemática.

Em segundo lugar, vale ressaltar a perpetuação de esteriótipos relacionados ao consumo de alimentos pela população. Nesse viés, muitos brasileiros citam a seguinte frase com frequência: “é melhor sobrar do que faltar”, demonstrando a simpatia com o consumo exacerbado. Por certo, muitas máximas como essa não são somente frases, mas exemplificam o estilo de vida da população. Contudo, segundo o sociólogo Émile Durkheim: “O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela”, em outras palavras, um esteriótipo criado pela sociedade tem a tendência de se perpetuar por gerações. O que pode ser uma grande problemática, já que incita o consumo exagerado de alimentos. Portanto, grande é o impasse social citado, e, por isso, deve ser contido.

Assim, infere-se que muitos são os empecilhos para a solução do desperdício alimentício no Brasil. Todavia, existem maneiras de subtrair a problemática, como o Ministério da Saúde informar sobre o quadro da fome brasileiro, por meio de campanhas e palestras voltadas, principalmente, para adultos da classe média e alta, com o objetivo de diminuir o desperdício. De modo que haja um consumo controlado, e com o passar do tempo, uma maior consciência sobre o que é necessário e o que é fútil, como padrões esteticos definidos pelo poder de compra.