ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 13/01/2021

No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, a prevalência da fome em território nacional, por exemplo, configura uma realidade à margem da democracia. Nesse viés, a diminuição do desperdício de alimentos, no Brasil, apresenta ainda enormes desafios. Pode-se dizer, então, que a tênue ação estatal e o individualismo do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.

Primeiramente, ressalta-se a inoperância governamental para combater as deficitárias infraestruturas de produção. Segundo o pensamento hobbesiano, o Estado é encarregado de garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à negligência das autoridades, de acordo com o jornal “O Globo”, cerca de 10% de todos os grãos produzidos, em 2016, eram descartados nas etapas iniciais de beneficiamento. Dessa forma, geram-se condições favoráreis à insegurança produtiva, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito ao alimento, são ameaçados.

Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um princípio fundamental da filosofia marxista, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Em análise realizada pela revista “Exame”, verificou-se que os investimentos privados, destinados à fast-foods que promovem a inutilização de proteína animal, apresentaram altas abruptas nos últimos anos, tendo em vista a crescente rentabilidade do setor. Logo, desrespeita-se, em nome de interesses individuais, importantes conceitos filosóficos, culturalmente consagrados, que equilibram as relações humanas. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de intenções egoístas.

Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal atuar em favor da população, mediante a gênese de leis que aprimorem as tecnologias de produção alimentícia, a fim de assegurar o fim do desperdício e o direito ao alimento. Ademais, o corpo social deve pressionar os empreendedores a encerrarem o financiamento descabido a fontes de descarte de nutrientes, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização em praças e locais públicos, com a distribuição de cartilhas informativas e material complementar, no intuito de viabilizar a justo e equilibrado. Assim, obter-se-ão os requisitos indispensáveis à restauração da soberania civil.