ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 27/01/2021
O Brasil, a partir de suas características naturais e desenvolvimento histórico, é reconhecido por sua expressiva produtividade de alimentos. Porém, esse fator antagoniza-se à má distribuição de sua produção em termos logísticos e de desigualdade econômica, alicerçando um ambiente propício ao desperdício alimentício.
A agricultura brasileira é caracterizada pelos dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) por uma produtividade que cresce há quatro décadas. Nesse sentido, gera-se um excedente produtivo que é tanto descartado pelos próprios produtores em estradas quanto é mal acondicionado por parte dos transportadores, o que gera níveis de desperdício que chegam a 50% em sua distribuição, como apontado pelo infográfico do jornal O Globo entitulado “O caminho do desperdício no Brasil”.
Ademais, a dimensão continental do território brasileiro encarece o escoamento produtivo —majoritariamente realizado por rodovias — o que eleva os preços ao consumidor final e limita o acesso à segurança alimentar por parte da população mais pobre. Gera-se então incentivos cada vez maiores ao consumo de produtos pouco saudáveis e mais baratos, de modo a empobrecer o repertório nutricional e incrementar, a partir das disparidades econômicas no acesso aos alimentos, o descarte.
Conquanto os perfis de produtividade positiva e alternativa orçamentária não saudável existam o Brasil é ainda marcado pela presença da fome. O geógrafo Josué de Castro, em seu “Geografia da Fome”, destaca que não se pensou no desenvolvimento da malha de escoamento de produtos como parte do acesso aos alimentos no país, mas sim com os viéses de integração nacional e exportação, sedimentando então o cenário de diminuição do aproveitamento produtivo em relação à população e aumentando a fome.
Portanto, a fim de se alterar o quadro descrito, deve-se realizar por meio de parcerias entre o IPEA e as principais empresas transportadoras o mapeamento das perdas produtivas a fim de se identificar as falhas de escoamento. Aliado a isso, os principais centros de distribuição federais (CEASAS), em parceria com os governos estaduais, tem de contatar centros de assistência social e ONGS de municípios com elevados índices de insegurança alimentar para realizar a captação e distribuição da produção não aproveitada, podendo fazê-lo na forma de parcerias com empresas de logística locais em troca de benefícios fiscais. Forjam-se assim rede logísticas e distributivas eficientes para a diminuição do desperdício de alimentos no país.