ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 18/03/2021

Durante o século XX, o Brasil passou por um intenso processo de mudança no que tange ao consumismo, por conta do chamado “American Way of Life”, que consistia em criar uma sociedade consumista sem limites e sem pensar nos exageros causados por esse consumo incessante. Nesse contexto, pode-se notar que a sociedade brasileira tem um sistema prezado em apenas consumir, sem pensar nos desperdícios causados pelo sistema capitalista de consumo. Examinando a condição atual do Brasil no que concerna a criar alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil, vê-se certos empecilhos, dentre os quais estão a cultura irraigada na sociedade brasileira em não pensar no desperdício de alimentos e seus prejuízos, e também a infuncionalidade do Estado em solucionar tal problema.

Em primeiro plano, observa-se o desperdício de alimentos no Brasil associado com a cultura presente na população brasileira. Nesse sentido, Sérgio Buarque de Holanda, filósofo e historia brasileiro, nomeia a cultura brasileira, em seu livro “Raízes do Brasil”, como a cultura do “jeitinho brasileiro”, onde diz que o brasileiro não liga para a consequência de seus atos e apenas se importa no que toca ao seu prazer e seus interesses. Logo, torna-se evidente que o desperdício de alimentos é fruto de um pensamento individualista e antipático por parte da cultura brasileira.

Em segundo plano, nota-se além da contribuição da cultura brasileira no desperdício de comida, também a infucionalidade do Estado brasileiro sendo mais um aporte. Nesse aspecto, John Locke, filósofo iluminista do século XVIII, caracteriza o Estado como um agente superior que tem a função de garantir que em todo seu terrítorio haja igual distribuição de recursos em prol do densevolvimento da nação. Tal ideia, não é aplicada no Brasil, onde, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil desperdiça cerca de 41 mil toneladas de alimentos por dia, enquanto 5.2 milhões de pessoas no Brasil passam fome, o que confirma a infuncionalidade do Estado de não distribuir seus recursos igualmente em seu território.

Portanto, alternativas devem ser tomadas para superar tal impasse. Primeiramente, cabe ao Ministério da Propaganda propagar propagandas publicitárias, por meio da empresa televisional brasileira, TV Brasil, com o intuito de mudar a concepção do brasileiro sobre a consequência de não pensar na consequência de seus atos e promover o desperdício de alimentos, detalhando-se a parcela da população de alta renda, que tem condições de usufruir do consumismo. Além disso, cabe ao Poder Legislativo pressionar o Poder Executivo, por meio de Comissões Parlamentares Investigativas, para que o Estado melhore sua conduta e garanta a igual distribuição de alimentos em seu território.