ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 08/04/2021
Na obra “Just Eat It”, (“Apenas Coma Isto”), é retratada a história do desperdício de alimentos no mundo e como esse problema interfere na dinâmica global. O documentário, apesar de retratar o desperdício de alimentos em esfera mundial, pode ser aplicado no contexto brasileiro atual. Esse problema, em escala nacional, advém principalmente do mau armazenamento e do transporte dos alimentos e da má organização do comércio e varejo.
Em primeiro lugar, grandes quantidades de alimentos são perdidos ao longo do caminho por vários motivos, sendo alguns deles: vencimento da mercadoria, mau armazenamento tanto nos caminhões quanto nos galpões, má gestão de estocagem e etc. Como indicativo desse processo, dados da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas apontam que o mau transporte e acondicionamento incorreto dos produtos representa 44% da perda total. Sendo assim, não apenas a econômia é prejudicada mas também o próprio consumidor com o aumento do preço do produto, tendo em vista a lei da oferta e da procura.
Ademais, o problema persiste quando chega ao comércio, grande parte do que alcança as prateleiras ainda é descartado por não atingir as expectativas do mercado quanto as suas características físicas. Isso se deve ao fato do consumidor apreciar o belo, distanciando-se da concepção de Sócrates onde o belo é o útil, ou seja, a beleza não está vinculada à aparência do objeto e sim em quão proveitoso ele é. Para o consumidor, não, se não é belo não é útil, logo o produto continuará na prateleira.
Portanto, a redução do desperdício de alimentos no Brasil depende da disseminação de informação e de incentivo ao reaproveitamento de alimentos. A fim de diminuir o desperdício, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), promover campanhas que conscientizem e mobilizem não apenas os consumidores mas também os pequenos e grandes produtores. Além disso, cabe ao MAPA, ainda, a criação de políticas de reaproveitamento de alimentos descartados mas ainda próprios para consumo, assim como é feito com o caju, onde seus frutos descartados são reaproveitados e transformados em melados, doces, sucos e castanha torrada.
Ademais, é importante a regulamentação e fiscalização mais rígidas, dessa forma as transportadoras e o comércio tomarão mais cuidados e se atentarão na quantidade de produtos que serão descartados. Isso impediria o aumento de desperdício e até mesmo uma melhora na economia. Com essas medidas o Brasil se tornará mais consciente e não se tornará parte de estatística para documentários.