ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 03/05/2021
Em um episódio da série “Sense 8”, da Netflix, é retratada a dificuldade de uma comunidade africana a obter acesso a alimentos e água potável para consumo próprio. Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: a ausência de alternativas para combater o desperdício de alimentos. Desse modo, urge a necessidade de atentar-se a como a insipiência estatal e o meio social fomentam a problemática.
Primeiramente, há de se constatar a displicência governamental. Precipuamente, a Constituição Federal de 1988 garante acesso a um ambiente que prioriza o bem-estar social de todos. Entretanto, ao analisar a carência de políticas públicas disponibilizadas pelo governo a fim de amenizar o desperdício de alimentos e melhorar o escoamento deles, uma vez que, a cada ano, mais de 50% da comida é desperdiçada durante o escoamento, conforme o site banco de alimentos, é perceptível que essa premissa constitucional não é devidamente valorizada. Dessa forma, percebe-se que o imbróglio fere os princípios normativos da Constituição e recrudesce o infeliz cenário no qual uma alternativa para combater o mau escoamento e desperdício de alimentos é perdida.
Posteriormente, vale ressaltar que a lacuna educacional corrobora esse quadro. Ademais, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas ao não formarem um senso crítico nas escolas acerca dos produtos que também são perdidos com o desperdício, como a água, o custo de transporte, entre outros, podem acabar por comprarem alimentos além de sua capacidade de consumo e, por fim, desperdiça-los após o vencimento de sua validade. Nesse viés, de acordo com o mesmo site previamente mencionado, cerca de 10% dos alimentos são perdidos pela falta de cumprimento de sua validade. Desse modo, confirma-se, lamentavelmente, que o meio social poderia ajudar a criar uma alternativa para combater o desperdício de alimentos.
Destarte, medidas fazem-se relevantes para salientar a importância de não desperdiçar alimentos. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Consumindo de forma adequada”, responsável por educar socialmente os estudantes e suas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e produtores de alimentos, a fim de expor, debater e combater as consequências do desperdício de alimentos em larga escala. Assim, será possível distanciar-se do hediondo cenário apresentado pela Netflix.