ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 11/05/2021

Com a Segunda Revolução Industrial houve um aumento produtivo em relação às áreas de consumo, entre elas, a alimentícia. Nesse viés, as estratégias de produção evoluíram ainda mais e hoje a execução e distribuição dos alimentos segue o caótico ritmo da globalização. Mesmo com os avanços numéricos, a FAC (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) registrou que um em cada nove sofre de fome. Isso se deve ao hábito social de consumo exagerado e desperdício inconsequente, bem como às perdas evitáveis nos processos de produção.

Nota-se um choque de realidades no que se refere ao acesso à alimentação equilibrada, construído devido aos costumes consumistas. Acerca disso, no livro “Quarto de despejo” é explicitada a vida de uma catadora, a qual, muitas vezes, se sustentava com a pouca comida que encontrava no lixo e esse é o contexto de milhões de brasileiros que passam fome. Em contraste a isso, há a globalização de algo próximo ao “American way of life”, estimulador do consumismo e contribuidor para as taxas de desperdício dos alimentos, consolidado pelo universo digital, constatado, por exemplo, nos virais vídeos de “mukbang”. Assim, com a quase imposição midiática da compra, produtos são descartados em boa condição e poderiam retirar milhões da fome, contudo a falta de consciência social atua como empecilho para a diminuir tal fato.

Outrossim, a produção está envolvida no alto percentual de perdas da produção. Nesse contexto, as empresas, ao objetivarem o aumento dos lucros, desconsideram os efeitos de suas decisões, a exemplo de casos graves, como a negligência na manutenção da barragem de Brumadinho ou a eliminação de matérias-primas consumíveis, mas que não possuem a estética do mercado. Sobre isso, o capitalismo, para sustentar o análogo “American way of life”, usa o visual dos produtos como estímulo, porém não é evidenciado o quanto foi perdido para se alcançar o visto nas propagandas. Dessa forma, o manejo capitalista da produção é um causador da insegurança alimentar.

Destarte, alternativas para minimizar a perda de alimentos perpassam pela desconstrução do consumismo e pela reivindicação de posicionamentos adequados das empresas. Primeiramente, ONGs envolvidas na luta contra a fome, bem como grupos sociais, poderiam se juntar, por meio das redes, e estimular uma mudança no comportamento social e na postura das produtoras. Isso poderia ser feito com o financiamento de empresas que já apoiam a causa, de modo a dispersar vídeos e anúncios sobre o consumo consciente, a necessidade de coerção social para reivindicar mudanças na produção e projetos de doação de alimentos para pessoas em insegurança. Por fim, poderia haver o aproveitamento do que é produzido e indivíduos seriam favorecidos com as doações.