ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 02/06/2021

No relato da autora Carolina Maria de Jesus, em seu livro “Quarto de despejo”, ela conta que, por residir na periferia em condições de insegurança alimentar, tentava sempre recolher alimentos que seriam desperdiçados pelas fábricas, o que gerava, na maioria das vezes, uma reação negativa por parte do detentor desses suprimentos. De maneira análoga à obra, a questão do desperdício de comida, no Brasil, ainda enfrenta problemas para solidificar alternativas para a diminuição de tal. Assim, é lícito afirmar que a postura do Estado em relação ao transporte e o estímulo ao consumo por parte da mídia contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para diminuir o desperdício de comida no país. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) exerce na fiscalização e penalização do descumprimento das boas práticas do deslocamento de alimentos. Nesse sentido, fatores como o mau acondicionamento no carregamento e estoque, a embalagem mal pensada e o controle de qualidade são ignorados. Como consequência, tem-se que, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e da Agricultura (FAO), o maior desperdício se dá no manuseio e transporte das frutas, legumes e verduras: 50%.

Outrossim, faz-se imperativo a compreensão de que os textos publicitários também colaboram para o desperdício no ambiente doméstico brasileiro. Isso decorre, principalmente, da postura capitalista de grande parte da indústria midiática que estimula constantemente a ação de comprar comida excessivamente e sem necessidade. Além disso, é evidente a idealização das vitualhas em tais propagandas, as quais são retratadas como coisas extremamentes deliciosas e prazerosas, o que acarreta na formação de padrões estéticos para os alimentos. Um exemplo disso, é o curta-metragem “Ilha das Flores”, que acompanha a trajetória de um tomate que, após ser classificado como dispensável, é descartado para os porcos e, por último, no lixão, onde é disputado por seres humanos em condições de extrema miséria.

Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessária a ação conjunta do Estado e da sociedade para mitigá-los. Nesse âmbito, cabe ao poder público, na figura do Ministério Público, em parceria com a mídia nacional, desenvolver campanhas de conscientização - por meio de relatos e curta-metragens a serem veiculadas nas mídias sociais - a fim de promover um debate sobre o desperdício de comida. Feito isso, o Brasil poderá garantir a diminuição da perda de alimentos e mais qualidade de vida para as “Carolinas”.