ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 02/06/2021

A herança que nos deixaram.

Desde que o Brasil colônia pessoas com poder aquisitivo maior possuem segurança alimentar, isto é capacidade de garantir as três refeições diárias e em contraponto pessoas marginalizadas não conseguem garantir tais refeições. Logo vemos que desde os primórdios da nossa história a segurança alimentícia é uma realidade apenas para classes mais altas da sociedade, isso é, a fome está intrinsecamente ligada ao poder econômico. E o desperdício alimentar expande as disparidades supracitadas, uma vez que gera gasto desnecessário.

É importante pontuar, de início, que o desperdício de alimento não ocorre apenas por parte do consumidor, isto é, segundo dados da ONUVERDE apenas 10% da perda de alimentos se dá nas mãos dos consumidores. Consequentemente os produtores rurais se apresentam como a raiz do problema, uma vez que a maioria do desperdício ocorre nesse ponto dessas relações e a problemática se agravou com o processo da revolução verde que voltou a agricultura brasileira para o mercado externo, ou seja, além dos produtores brasileiros usufruirem de terras nacionais para produzir, ainda desperdiçam tal alimento e o restante ofertam ao mercado internacional.

Outrossim, ocorre uma falta de investimento em políticas públicas visando o menor desperdício de alimentos e uma ampliação da segurança alimentar. Assim como defendido pelo ex-presidente Lula “a fome é a arma de destruição em massa mais poderosa e perigosa que o homem inventou. A fome é um problema político e acabar com ela só será possível com a justa distribuição da riqueza produzida por todos” desta forma entendemos que a falta de políticas públicas para resolução de tal problemática ocorre pelo descaso com a população marginalizada, protegendo apenas os interesses dos latifundiários. Assim o economista Milton Friedman expôs tal ideia ao enunciar que “a única responsabilidade social de uma empresa é dar lucros aos seus acionistas” , isso é, não possui qualquer interesse em ajudar a sociedade como um todo. Assim sendo cabe ao Estado promover a igualdade dentre as desproporcionais forças presentes na sociedade, como descrito por Thomas Hobbes em sua obra “O Leviatã” ao propor as funções sociais do estado defendendo um contrato social, isto é,  a regulamentação dos poderes sociais, a fim de se equilibrar a balança da justiça.

Em síntese, vemos que o problema do desperdício alimentar é resultante da ausência do Estado, portanto cabe ao governo brasileiro regular as produções agrícolas no território nacional por meio de políticas públicas, a fim de promover a diminuição do desperdício de alimentos e detalhadamente, começará a ser ampliada a segurança alimentar.