ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 02/06/2021

Os famintos do desperdício

O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas mundiais e o desperdício de alimentos caracteriza a nação, que além de altas taxas de desperdício, vê a fome crescer de modo alarmante. Outrossim, uma vez que o país sofreu a industrialização tardia, com aumento da produção e diminuição de custos atrelado às novas tecnologias industriais, a lógica capitalista de que é “melhor sobrar do que faltar” reflete na dinâmica das grandes metrópoles, escancarando o abismo social. Então, as soluções devem vir por meio medidas incisivas que afetem o bolso da população de forma direta e assim, contrariem o sistema e a situação seja revertida.

No contexto relativo à controversa, sabe-se, por exemplo, que após mais de um ano de pandemia da COVID-19, há relatos de usuários com sintomas similares aos de doenças mas que na realidade, são pessoas famintas, ou seja, a fome é também uma questão de saúde pública. Além disso, segundo pesquisadores da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (PESSAN), atualmente 19 milhões de brasileiros vivem o drama da fome. Logo, é desumano conhecer tais dados e permanecer com uma vida de desperdícios.

Ademais, é necessário responsabilizar a sociedade como um todo pela negligência ao fato de que existem tantas pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade, mas não resta dúvida de que a cultura do desperdício pode ser identificada mesmo no lixo doméstico de todas as classes sociais.  Também por isso, há famílias inteiras na extrema pobreza que vivem dos dejetos encontrados nos lixões das grandes cidades, catando comida estragada para sobreviver. Portanto, as famílias devem evitar o desperdício e promover o pensamento crítico nas crianças, conscientizando-as, afim de dar o exemplo e também promover um consumo consciente.

Assim, faz-se fundamental a contibuição, por exemplo, do empresariado no ramo de bares e restaurantes montando marmitas com as sobras da produção diária da sua cozinha que não vendia e acaba sendo descartada, pode também incentivar que os clientes doem os alimentos que são embalados para viagem e, muitas vezes, descartados posteriormente. Eventualmente, em medidas mais extremas, é possível estudar uma forma de penalizar com multas os estabelecimentos que gerem excesso de lixo orgânico. Dessa forma, se alcançará o bem-estar de uma parcela da população que pede socorro.