ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 08/07/2021

No documentário americano ‘‘Desperdício: a história da comida jogada fora’’, do chef Anthony Bourdain, é criticado o fato de que um terço de todos os alimentos produzidos por ano vão parar no lixo. Ainda, tal obra, apresenta políticas mundiais e possíveis soluções sistêmicas para usar os 1,3 bilhões de toneladas de comida que são anuladas no mundo. Assim, tomando como exemplo a prática americana, faz-se necessário buscar alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil, analisando as ações individuais da população, como também, a política do mercado financeiro que gera produção em excesso.

Primordialmente, pontua-se que, segundo dados do Banco Mundial, o Brasil está na lista dos dez países que mais desperdiçam alimentos no mundo, isso se deve a falta de planejamento da população, desde a lista de compras à quantidade de comida preparada e consumo exacerbado. Prova disso, são informações do relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), indicando que no Brasil, por ano, são desperdiçados 60 kg de alimentos per capita no ambiente doméstico. Ainda, Inger Andersen, diretora do Programa da ONU para o Meio Ambiente, afirmou que a redução do desperdício de alimentos cortaria as emissões de gases de efeito estufa, retardaria a destruição da natureza, aumentaria a disponibilidade de comida e, assim, reduziria a fome mundial.

Observa-se, ainda que, de acordo com a FAO (agência da ONU preocupada em erradicar a fome), 54% do desperdício de alimentos no mundo, ocorre na fase inicial da produção, que é composta pela manipulação pós-colheita e pela armazenagem. Os outros 46% do desperdício, de acordo com a mesma fonte, ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo. Contrário a esse desperdício, há aproximadamente 870 milhões de pessoas que passam fome no mundo, segundo a FAO. Dessa forma, tal óbice, faz alusão à máxima do geógrafo e ativista no combate à fome, Josué de Castro, onde diz que, a economia atual não é apenas uma arte de estabelecer empresas lucrativas, mas uma ciência capaz de ensinar os métodos de promover uma melhor distribuição do bem-estar coletivo.

Portanto, medidas devem se tomadas. É preciso que a população tome consciência do impacto gerado pelo despedício individual, realizando assim, listas para evitar as compras impulsivas, planejando refeições e comprando apenas o necessário. Urge, também que, o Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, fortaleça políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, como também, amplie a rede de bancos de alimentos, como as centrais de abastecimento. Ainda, as empresas do ramo alimentício devem investir em gestão, capacitação e treinamento dos funcionários, para assim, diminuir o desperdício na produção.