ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 02/07/2021

No curta-metragem “Ilha das Flores”, o narrador relata o desenrolar de um tomate, desde sua colheita até seu descarte feito por uma senhora, que o julgou como inadequado para consumo. Juntamente com restante do lixo, o tomate descartado é levado à Ilha das Flores, em Porto Alegre, e dado para mulheres e crianças pobres consumir. Sob essa ótica, o desperdício de comida no Brasil é vigente e, em paralelo, famílias permanecem à mercê da fome e insuficiência alimentar. Destarte, elucida-se a necessidade de analisar alternativas para combater o desperdício de alimentos no território nacional.

Primeiramente, a Revolução Verde teve início em 1960, com o objetivo de modernizar as técnicas agrícolas em escala global, a partir do desenvolvimento de tecnologias e de sementes modificadas em laboratório, denominada transgênicos. Tais insumos transgênicos foram alterados para acentuar sua resistência e durabilidade, a fim de evitar o desperdício nas colheitas e no armazenamento do alimento, e assim, acreditava-se que a Revolução Verde erradicaria a fome. Entretanto, esta não fora efetiva no combate à fome, uma vez que o desperdício de alimentos, oriundo dos consumidores e de estabelecimentos como restaurantes, é acentuado, enquanto simultaneamente, parte da população verde-amarela permanece em insuficiência alimentar, como é evidenciado em Ilha das Flores.

Concomitantemente a isso, o desperdício de alimentos no Brasil é de 40 mil toneladas diárias, e anualmente, essa quantidade seria suficiente para abastecer cerca de 19 milhões de pessoas, segundo uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Ademais, conjuntamente a isso, aproximadamente 19 milhões de pessoas passam fome severa, de acordo com o Índice Brasileiro e Geografia e Estatística, logo, é notório que essa aproximação é similar a quantidade de pessoas que o desperdício de alimentos poderia abastecer se fosse erradicado. Desse modo, o direito à alimentação adequada está contemplado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, assim, essa problemática é inconstitucional e um crime contra os Direitos Humanos.

Urge, portanto, a necessidade de mitigar o impasse. Para isso, compete ao Poder Legislativo a promulgação de uma lei que visa diminuir o desperdício de alimentos feito por grandes estabelecimentos, como restaurantes e supermercados, por meio da proibição do descarte de alimentos que sejam inapropriados à comercialização, mas que sejam consumíveis, e deve proporcionar a distribuição destes à população carente, a fim de controlar o desperdício e sanar a fome regional. Juntamente, o Ministério da Cidadania, responsável pela alimentação do corpo social, encarrega-se, por intermédio de campanhas de ampla abrangência, de instruir o tecido social meios para diminuir o desperdício doméstico. Assim, é possível frear a realidade distópica da Ilha das Flores.