ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 11/07/2021

A Constituição Federal do Brasil de 1988, assegura acesso à alimentação como um direito social essencial do cidadão. Entretanto, esse compromisso não tem sido efetivado plenamente e, segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, 116 milhões de brasileiros não têm comida suficiente ou passam fome. Isso se dá, em parte, devido ao desperdício de alimentos, já que, conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a quantidade de alimentos jogada no lixo é suficiente para alimentar 20 milhões de pessoas anualmente. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar. Nesse sentido, pode-se afirmar que o desperdício tem como causas tanto a mentalidade consumista, quanto as problemáticas no ciclo ao qual os alimentos são submetidos.

Em primeiro plano, cabe mencionar que o consumismo desnecessário fortalece o caótico quadro de desperdício no país. De acordo com o sociólogo Max Weber, o modo como os indivíduos agem pode ser explicado pela teoria da ação social tradicional, que consiste em reproduzir costumes adquiridos por tradições de forma irracional e não calculada. No contexto da Guerra Fria, a partir da ascensão do capitalismo, o estímulo ao consumo foi disseminado pelo mundo, sendo praticado de forma aguda por uma sociedade cada vez mais alienada. Diante disso, os indivíduos são suscetíveis ao exagero, sobretudo na alimentação, que associando-a à fartura, acabam por transpor radicalmente as necessidades alimentares fundamentais à sobrevivência. Assim, perpetuando a cultura do desperdício.

Ademais, é importante ressaltar que, - consoante às ideias do sociólogo Émile Durkheim que responsabiliza o poder público pelo gerenciamento de questões que envolvam a coletividade estabelecendo o bem-estar social -, a negligência governamental no que tange à implantação de uma infraestrutura adequada ao transporte de alimentos é um dos principais motivos à manutenção dos problemas referentes ao desperdício no país, uma vez que, dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que mais da metade do desperdício se dá em etapas de transporte e armazenamento.

Diante do exposto, conclui-se que medidas são necessárias para solucionar o impasse. Tendo a situação de desperdício como uma postura negligente social, urge por parte do Ministério da Educação (MEC) promover em meio acadêmico o diálogo franco acerca da realidade denunciada, por meio da organização de debates e mesas redondas; instituindo nas escolas projetos como saraus, exposições e palestras. Para que haja uma mudança na mentalidade coletiva e, paralelamente, o desenvolvimento ascendente de um ciclo de consumo consciente. Dessa maneira, amenizar-se-ia a problemática.