ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 23/07/2021

A Agenda Global do Desenvolvimento Sustentável traçou 17 objetivos a serem alcançados até 2030, dentre eles, a valorização da dignidade humana por meio da segurança alimentar. Entretanto, o desperdício de alimentos no Brasil consiste em grave problema social e urge ser combatido, sob prejuízos à saúde e bem-estar dos cidadãos. Sob essa perspectiva, é imperioso que se analise os altos índices de perdas de alimentos nas vias de transporte, além dos aspectos culturalmente enraizados nos hábitos presentes na mesa dos brasileiros.

Em primeiro plano, segundo a Embrapa, a quantidade de alimentos desperdiçada no Brasil conseguiria alimentar cerca de 10% da população brasileira. De forma surpreendente e ao contrário do que se pensa, a maior parte do desperdício não ocorre pelas vias do consumidor, e sim, da cadeia transportadora e fornecedora. Sob essa perspectiva, combater o desperdício alimentar urge, primordialmente, minimizar a perda durante os transportes e nas centrais de abastecimento que, somados, representam 80% de todo rejeito alimentar, segundo dados do jornal O Globo. Portanto, é imperativo que se otimize a linha de distribuição e fornecimento com o fito de baixar esse índice alarmante.

Ademais, desde o Período Colonial, o excesso de alimentos à mesa representa fartura e ajuda a explicar parte do comportamento aqui presente: a falta de planejamento alimentar produz elevado descarte. Somado a isso, tem-se uma cadeia comercial que valoriza o poder de compra: embalagens que ostentam o poder de compra, alimentos pobres em valor nutricional, comportamentos norteados pela Indústria Cultural. Esse conceito foi desenvolvido por Theodor Adorno e explica de forma cirúrgica sobre grandes empresas, através dos veículos midiáticos, serem responsáveis por um modelo de compra norteado de forma imperiosa, subvalorizando a capacidade crítica individual. Logo, ainda que os brasileiros sejam produto – em parte – de raízes culturalmente eurocêntricas, convém valorizar o processo de desenvolvimento aqui presente e as demais heranças históricas, que valorizam a natureza e o bem-estar social.

Impende, portanto, que o Poder Legislativo – responsável por legalizar o processo alimentar – crie leis que regulem o processo de produção e distribuição alimentar, por meio de punições financeiras aos órgãos que rejeitarem determinado percentual estabelecido do que é produzido, além de isenções fiscais às empresas que doarem parte do produto que seria um potencial desperdiçado na linha produtiva. Essas ações teriam a finalidade de valorizar o alimento como mantenedor da dignidade humana e corrigir a herança histórica que valoriza o poder de compra e ostentação.