ENEM PPL 2016 - Alternativas para a diminuição do desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 21/07/2021
Apesar dos avanços tecnológicos produzidos no decorrer das grandes revoluções, a humanidade persiste em falhar na questão alimentícia, tendo em vista que, em 2013, cerca de 11% da população mundial encontrava-se em situação de fome, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação. Paralelamente, a situação no Brasil apresenta similar padrão de desaproveitamento, ainda que sua participação na economia primária seja expressiva. Sob essa perspectiva, há impasses para a diminuição da perda de alimentos no país, ora pela inércia do poder público, ora pela negligência populacional, o que torna urgente expor e viabilizar medidas para atenuá-los.
Em primeira análise, é imperativo pontuar que a Constituição de 1988, em seu conjunto de leis, garante a adequada alimentação aos cidadãos brasileiros, sendo dever do Estado zelar pela plena aplicação destes. Contudo, tal estrutura teórica faz-se pouco efetiva no plano prático, uma vez que a fome é um fato presente na realidade do país. Tal conjuntura aponta que as ações governamentais apresentam-se insuficientes em assegurar a aplicação das ferramentas legais de proteção ao alimento e sua distribuição, uma vez que, de acordo com reportagem do jornal “O Globo”, mais da metade do perda dos produtos ocorre ainda na fase de produção e distribuição, reflexo da falta de participação pública no processo. Assim, é mister que ferramentas legais sejam introduzidas, a fim de ampliar o controle e redução da perda de bens essenciais ao homem.
Outrossim, é categórico postular que o desperdício na sociedade constitui um dos obstáculos para o eficaz aproveitamento de alimentos no país. Tal fato pode ser explanado pela cultura capitalista, que encontra sua força na compra excessiva e massificada. Embora haja grande oferta, a cultura em questão promove a aquisição de elementos para além da necessidade e capacidade humana de consumo, o que inviabiliza a distribuição sustentável de comida, ao passo que potencializa as disparidades socioeconômicas e o desgaste dos recursos naturais. Logo, é substancial que haja a conscientização da sociedade acerca dos efeitos de suas ações, de modo a evitar distorções prejudiciais ao acesso a direitos básicos e universais.
Em síntese, urge que medidas sejam implementadas para mitigar o quadro em questão. Portanto, cabe ao governo federal, por meio de seu aparato legal, implementar medidas de controle e supervisão do processo produtivo e distributivo, para coordenar e reduzir as perdas nas etapas iniciais da cadeia. Ademais, é de suma importância que ações públicas nas redes de comunicação reforcem a importância do consumo consciente, de modo a evitar que o corpo social reforce o problema. Dessa forma, o Estado e sociedade superarão de modo promissor e coesivo a problemática vigente.